São Paulo – Apesar do reajuste de até 10% no preços das passagens, anunciado no início deste ano pelo setor aéreo, o turista que decidir viajar pelo País durante a alta temporada tem grandes chances de pagar menos do que no mesmo período do ano passado. As companhias oferecem uma grande quantidade de bilhetes promocionais, desde que o passageiro compre com antecedência e não faça questão de viajar em horários nobres, ou a partir de aeroportos centrais.
A explicação, segundo especialistas do mercado, é que a liberação dos reajustes pelo governo, decidia em agosto passado depois de muita chiadeira dos empresários do setor, aumentou a margem de manobra das políticas de preços das companhias, que podem ir à forra no passageiro de perfil executivo, que voa por necessidade e se dispõe a pagar mais para viajar em horários mais nobres.
‘‘Os reajustes de preço deste ano atingiram só o topo da pirâmide’’, afirma o vice-presidente de Vendas da TAM, Wagner Ferreira, explicando que as tarifas promocionais não foram alteradas. O executivo explica que o impacto do aumento de preços, na média do que é cobrado pelas passagens da companhia, não chegou a 3%.
‘‘A tendência de 2002 é de segmentação dos preços das passagens. O público tem de aprender a trabalhar com o preço spot, de oportunidade’’, explica. Exemplificando, um passageiro consegue comprar passagem Rio-São Paulo da TAM, só de ida, por R$ 98,00. Isto desde que não se incomode em viajar no fim de semana, partindo de Congonhas e descendo no Aeroporto do Galeão, distante do centro do Rio. Em janeiro passado, a tarifa única era de R$ 208, semelhante à da Varig, que hoje tem o preço mínimo de R$ 186.
Outra boa notícia é que a nova versão da guerra das tarifas deverá se acirrar nas rotas mais nobres, como a ponte aérea Rio-São Paulo (exclusivamente entre os aeroportos de Congonhas e o Santos Dumont), com a concorrência da Gol e seu conceito ‘‘low cost, low fare’’ (custo baixo, tarifa baixa). A empresa começou neste neste mês a operar os primeiros vôos na rota, por enquanto apenas nos sábados e domingos, mas espera-se que o Departamento de Aviação Civil (DAC) autorize a empresa a operar na rota diariamente a partir de fevereiro. ‘‘A Gol tende a assumir o segmento de público deixado órfão pela Transbrasil, que oferecia preços mais em conta’’, diz um analista do setor.
Nos primeiros vôos, os preços têm sido os mesmos cobrados na ligação entre as duas cidades fora dos aeroportos centrais, em média entre R$ 96 e R$ 148 por trecho. Mas a empresa ainda não divulgou quanto cobrará quando regularizar a linha. ‘‘O certo é que vamos nos manter dentro da proposta inicial, de oferecer passagens mais baratas que as da concorrência’’, garante o presidente da Gol, Constantino de Oliveira Júnior.

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