Bandas de rock trabalhando com DJs ou grupos eletrônicos era - e ainda é para algumas cabecinhas - uma heresia. Ultimamente, porém, esse tipo de parceria selou uma tendência no mundo pop. As colaborações proliferam convertendo gente dos dois lados: ora são bandas ruidosas que convidam manipuladores de pick-ups para botar mais groove (ritmo) em seus trabalhos, ora são integrantes da cena techno que convocam vocalistas ou guitarristas para dar mais ‘‘vida’’ às batidas e efeitos computadorizados.
O ex-punk John Lydon, por exemplo, rendeu-se à onda chamando vários DJs de techno para trabalhar em seu novo disco. Isso depois de gravar a faixa ‘‘Open Up’’ para o último álbum do grupo eletrônico Leftfield. Este último, aliás, tem atravessado bastante as fronteiras de gêneros. Uma de suas últimas colaborações foi um remix para o hit ‘‘Discotheque’’, do U2.
A banda irlandesa, por sua vez, recorreu ao DJ Howie B. para produzir o álbum ‘‘Pop’’. Mas os melhores resultados obtidos com a fórmula dance-com-rock saltam da fornada da banda Prodigy, que não só tem feito shows com o guitarrista da banda punk English Dogs como pôs o vocalista Crispian Mills (da banda indie Kula Shaker) para soltar mantras no fabuloso álbum ‘‘The Fat Of The Land’’.
Também surpreendentes, os Chemical Brothers já apresentaram encontros memoráveis com Noel Gallagher (do Oasis), Tim Burgess (dos Charlatans) e Mercury Rev (banda psicodélica norte-americana). Os caras, aliás, já remixaram faixas para tudo quanto é celebridade roqueira. Foi o caso do Metallica, que gostou tanto dos timbres eletrônicos que emprestou outras músicas de seu repertório barulhento para o DJ Moby perverter em formato dançante. (N.S.)

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