Projetos culturais poderão sofrer cortes
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sexta-feira, 04 de junho de 2004
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Os projetos independentes e estratégicos aprovados pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic) para este ano poderão sofrer redução de orçamento assim como mudanças de cronograma. Essa posição foi dada ontem pelo recém-empossado secretário municipal da Fazenda, Wilson Sella, que estima que no prazo máximo de 30 dias já terá uma avaliação mais apurada de recursos em caixa da Prefeitura, que estão passando por uma reavaliação. Dos 96 projetos aprovados, 40% não receberam a primeira parcela do repasse prevista para abril. ''A princípio todos os projetos receberão os orçamentos previstos, mas há a possibilidade deles terem que ser readequados, adaptando-se aos recursos reais que a Prefeitura tem'', afirmou Sella.
Segundo ele, a principal causa desse desequilíbrio de caixa foi o aceleramento de projetos de todas as secretarias ''sem exceção'', além da redução de arrecadação tributária. Os meses de junho e julho, historicamente, são meses em que é comum haver queda de arrecadação, portanto, a estratégia definida pela secretaria é a redução de custos. Entre as medidas que serão adotadas, está o corte de horas extras de todos os funcionários públicos, redução de despesas de manutenção das secretarias e de despesas de viagens dos secretários.
O projeto ''Jardelina da Silva'', de Géssica Arjano, ainda não saiu do papel por falta de verbas. A idéia era fazer uma montagem teatral para contar a trajetória de Jardelina da Silva, uma personagem que cria arte através de suas roupas. ''Até agora não recebemos uma justificativa coerente e não sei muito bem como me posicionar. Acho interessante montarmos uma comissão para discutir o assunto'', disse Géssica.
Já ''Faces Setentas Anos'', projeto que previa montagem de um espetáculo de dança com 80 crianças e adolescentes de bairros carentes de Londrina, está em andamento. A sua proponente, Carina Aparecida Corte Souza, informou que até agora recebeu apenas R$ 1,5 mil (metade da primeira parcela prevista), de um orçamento total de R$ 14.611,00. ''O meu maior medo é de que não haja o repasse da segunda parcela, em julho, de R$ 5 mil, que poderá comprometer todo o trabalho, já que esse dinheiro é para a compra de figurinos.''
Ontem à noite diversos produtores culturais se reuniriam no DCE para debater a situação.


