Eles despontaram nos anos 80, uns com grande repercussão e outros com algum prestígio entre os críticos. Ian McCulloch imortalizou seu nome como vocalista, letrista e líder da banda Echo & The Bunnymen. Frank Black virou lenda à frente dos Pixies. Gordon Ganno levantou poeira como front man dos Violent Femmes. E Paul Westerberg, por fim, emergiu como um dos integrantes dos cultuados Replacements.
Todos estão com novos discos nas prateleiras. Ian, que tem fã-clube numeroso no País, chega às lojas com seu terceiro álbum-solo. Investindo em baladas, faz de ''Slideling'' (Sum Records) um apêndice do trabalho desenvolvido no Echo o que, se não aspira à ousadia, pelo menos garante uma cota de virtudes às canções. Impossível não lembrar da banda ao ouvir faixas como ''Seasons'' e ''She Sings (All My Life)''.
Às auto-referências, Ian estende um link com o pop britânico atual. Para gravar a faixa-título e ''Arthur'', o músico convidou o vocalista Chris Martin e o guitarrista Jonny Buckland, ambos do Coldplay. As participações fazem a diferença, porque a melodia de ''Slideling'' parece ter sido extraída de um dos dois álbuns do grupo inglês, expert em baladas românticas. Com arranjo para piano e cordas, é a grande canção do repertório e não por acaso a escolhida para virar single promocional do CD.
Segundo entrevista de Ian à revista Rolling Stone, o lançamento do álbum não vai marcar o segundo fim do Echo, no qual teria ainda muito o que compor ao lado do guitarrista Will Seargent, outro remanescente da formação original. Esse não é o caso de Frank Black, cuja carreira-solo após a extinção dos Pixies em 1993 já contabiliza quase uma dezena de álbuns. Para esta temporada, aliás, ele anunciou o lançamento de mais um, já batizado de ''Show Me Your Tears''.
Mas, por enquanto, os fãs brasileiros do gordinho intrépido de Boston (EUA) têm com o que se divertir, já que dois álbuns gravados simultaneamente no ano passado pelo artista acabam de sair por aqui pela Sum Records. ''Black Letter Days'' e ''Devil's Workshop'' trazem o músico acompanhado pelo trio The Catholics, que montou em 1997. O primeiro CD reúne 18 faixas, entre elas duas versões diferentes de ''The Black Rider'', de Tom Waits.
Com acento no country rock, o repertório incursiona ainda pelo blues (''How You Sent So Far''), rock sulista norte-americano (''1826'') e balada rasgada à la Rolling Stones (''Cold Heart of Stone''). Também com um pé no country, ''Devil's Workshop'' traz 11 faixas, incluindo uma execução ''cantada'' de ''Velvety'', gravada originalmente pelos Pixies em versão instrumental. O CD tem 33 minutos de duração, tempo em que o ouvinte flagra os timbres vocais de Frank Black, remetendo ora a Bob Dylan ora a Neil Young.
Besteira procurar resquícios de sua ex-banda nos dois álbuns, que oferecem apenas ciscos da época em que suas composições pareciam sempre oscilar entre refrões meigos e saraivada de guitarras picantes. Frank Black escapou do vício da fórmula, mas sua guinada ainda soa hesitante. Assim como ele, Paul Westerberg é outro que decidiu gravar e lançar dois álbuns ao mesmo tempo, ambos pelo selo independente Vagrant.
''Stereo'' (Sum Records) é dividido em duas partes ''Mono'' e ''Stereo''. No primeiro, ele usa o codinome ''Grandpa Boy'' apoiando-se numa banda afiada de rock'n'roll que tem participação do baterista Chris Mars e do baixista Tommy Stinson (dois membros de sua antiga banda).
No segundo CD, ele envereda pelo folk pop em baladas confessionais. Aqui, toca sozinho sua guitarra, a mesma que impregnou muitos corações largados na fase em que tocava nos Replacements, emblema do rock alternativo na década de 80. A gravação é lo-fi (baixa fidelidade), precária, registrando esboços de canções algumas acabam repentinamente perto do fim. Bem diferente de ''Hitting The Ground'' (Sum Records), primeiro disco-solo de Gordon Gano, vocalista, guitarrista e compositor do Violent Femmes.
O material foi originalmente composto como trilha sonora do filme homônimo de 1996, dirigido pelo cineasta independente Dave Moore. Com produção caprichada, traz participações especiais dos artistas Lou Reed, John Cale, PJ Harvey, Frank Black, Linda Perry e da banda They Might Be Giants. São gravações destas últimas as faixas mais empolgantes a balada ''So it Goes'' e a sessentista ''Darlin' Allison''. O repertório vai do rock energético ao folk delicado. O generoso anfitrião deixa os convidados ilustres à vontade. Solta a voz em apenas três faixas deixando o resto por conta dos amigos-intérpretes.

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