PROJETO SOCIAL - Arte e solidariedade que mobilizam
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segunda-feira, 03 de outubro de 2011
Ana Paula Nascimento <br> Reportagem Local 
No último sábado de manhã os londrinenses pararam para ver uma apresentação do flash mob ''De-Re-Pente'' que reuniu mais de 300 pessoas no Calçadão. Crianças, adolescentes, adultos e idosos dançaram uma contagiante coreografia dentro desse novo conceito de mobilização - que começou a ser praticado com incentivo das redes sociais a partir de 2000. Flash mobs são consideradas aglomerações instantâneas de pessoas em um local público para realizar determinada ação inusitada previamente combinada.
Com o objetivo de marcar o lançamento do 9º Festival de Dança de Londrina - que acontece até quinta-feira -, a ação também procura intervir na rotina das pessoas, mostrando que a arte pode fazer parte do nosso cotidiano - e tornar as pessoas mais sensíveis.
Responsável pelas aulas de expressão artística do Centro Social Marista Irmão Acácio (Cesomar), no Conjunto João Paz (Região Norte), Milene Duenha conta o que está por trás desse trabalho. ''A ideia de fazer o flash mob surgiu de forma espontânea e foi aceita pela organização do festival. Fizemos um longo trabalho de pesquisa corporal e desenvolvemos uma trilha com a ajuda do DJ Ed Groove'', relata.
Levando em conta as sugestões de estilos musicais dos alunos, que preferem o funk, o axé e o sertanejo universitário, Milene procurou desenvolver junto com eles passos não apelativos ou vulgares. Houve cuidado também com o processo de mixagem das músicas utilizadas na trilha para não valorizar os termos pejorativos.
''Realizamos várias rodas de discussão também sobre o aspecto político desse trabalho. Hoje em dia há muita omissão quando se trata de manifestações populares e a intenção é chamar a atenção para isso. Levamos também a ideia da importância da relação que temos com o meio que estamos inseridos'', complementa.
Depois de postar a sua ideia no Facebook, não demorou para que outros grupos de dança da cidade se interessasem em participar. Entre eles, o grupo ''A Rua Dança a Cidade'', de Edio Elias Gonçalves e a Troupe Tangará, que foram parceiros importantes nessa empreitada coreográfica. ''Nunca fizemos um ensaio geral com todos os participantes. Íamos construindo a coreografia e alguns representantes ficavam encarregados em repassá-las para os outros'', lembra Milene.
Atualmente o Cesomar Londrina - que integra a Rede Marista de Solidariedade - atende uma média de 600 crianças e adolescentes da Região Norte. No Brasil, há 23 centros sociais mantidos pela instituição que atendem no contraturno jovens em situação de vulnerabilidade social. A atuação ocorre nos âmbitos socioeducativos, de orientação familiar e de qualificação profissional. Em Londrina, os adolescentes participantes do projeto podem fazer os cursos de auxiliar administrativo e produção industrial viabilizados em parceria com o Senai.
Diariamente os alunos contam com oficinas de artes cênicas, jogos cooperativos, artes plásticas, artes circenses, cultura e movimento, informática educativa, meio ambiente e cidadania e educomunicação, sendo que este, sob a coordenação do educador Roberto Antonio Pereira de Camargo, ganhou em 2007 prêmio regional da Unicef. Há também o projeto Biblioteca Interativa, que possui um acervo de mais de 10 mil livros e brinquedoteca - um espaço aberto e lúdico para o uso da comunidade.
Há três anos a instituição está realizando um projeto de robótica com kits da Lego que consiste na montagem de maquetes e produção de stop motion e documentários, alguns já premiados. A cada ano há um novo tema a ser desenvolvido; o de 2011 é acessibilidade, que já resultou na construção de um elevador (a partir do estudo do mecanismo de uma empilhadeira) e uma esteira móvel para cadeirantes. As maquetes de residências e estabelecimentos comerciais também foram adaptadas para um melhor acesso.
''Fazemos um trabalho interdisciplinar envolvendo as disciplinas de informática, educomunicação e artes plásticas, que inclui uma série de oficinas de design para uma melhor compreensão de proporção e tamanho'', explica o educador de artes plásticas Marcos Takeda.
Dentro do conceito de pesquisa-ação, em todas as atividades a participação dos alunos é incentivada, procurando promover um espaço democrático para o debate de opiniões. Há inclusive o ''Contrato de Convivência'' em que frequentemente os educandos são motivados a refletir e opinar sobre os procedimentos de convivência. A ''Caixa de Escuta'' também é um instrumento útil para os adolescentes se fazerem ouvir via mensagens escritas.
''O nosso objetivo é desenvolver no jovem a consciência da importância da cidadania, do protagonismo juvenil. Queremos que ele aplique na sua vida, na sua realidade, os conceitos que aprende aqui'', destaca a coordenadora pedagógica Jackeline Rodrigues Gonçalves Guerreiro.


