A notícia de que o projeto para a aquisição de um novo projetor digital para o Cine Com-Tour/UEL foi aprovado pelo Ministério da Cultura (MinC) trouxe esperanças de que o cinema não feche as portas em breve. O desafio, agora, é conseguir empresas interessadas em destinar parte de seus recursos por meio da Lei Rouanet.
Prestes a completar dez anos de vida e, até então, sem perspectivas concretas da compra de um novo projetor, a expectativa era de que o cinema funcionasse, no máximo, até junho deste ano. O motivo é que, a cada dia que passa, está mais difícil encontrar filmes em película de 35 mm disponíveis para exibição no projetor do local. Quando se trata de produções alternativas, sobretudo filmes europeus e asiáticos – fora do eixo comercial norte-americano – a situação complica ainda mais.
A "aposentadoria" do projetor poderia ser menos traumática e brusca. Segundo Cleusa Cacione, diretora da Casa de Cultura da UEL, há conhecimento pela gestão da necessidade urgente de troca dos equipamentos, informações que constam, inclusive, no Planejamento Estratégico Institucional (PEI) como prioridade "número um" desde 2010. "Sabendo da situação crítica financeira da universidade e que existem outras prioridades em setores considerados essenciais, decidimos ir atrás de outras fontes de investimento. Como chegamos no nosso prazo máximo, o projeto pelo MinC era nossa alternativa mais palpável para não encerrarmos as atividades", explica.
A substituição do projetor digital mais a tela e o equipamento de som, de acordo com ela, fica em torno de 400 a 500 mil reais. "Esperamos conseguir todo o montante pela lei federal de incentivo à cultura. Mas, caso isso não aconteça, vamos trocando parte dos equipamentos conforme o recurso entra. Isso, contudo, não torna possível o funcionamento do cinema, pois é preciso a troca integral de todo o sistema. Ou seja, ficará fechado até a substituição completa."

INTERDIÇÃO

Porém, antes mesmo de fechar as portas por faltas de filmes, o cinema foi interditado pelo Corpo de Bombeiros no último dia 24, devido a irregularidades já apontadas em vistoria realizada anteriormente, em dezembro do ano passado. Conforme a notificação, as placas de sinalização fotoluminescente, lâmpadas de emergência e o carpete do piso não foram trocados como havia sido orientado.
O documento de reprovação da vistoria foi encaminhada ao Ministério Público (MP) que fez a notificação à Universidade Estadual de Londrina (UEL), instituição responsável pelo gerenciamento do cinema. Com a interdição, ficaram suspensas todas as atividades do local, como exibição de filmes, apresentações artísticas e musicais e os ensaios da Orquestra Sinfônica da UEL (Osuel) até que as adequações sejam feitas.
A diretora da Casa de Cultura explica que as modificações solicitadas foram executadas pela área de manutenção. "Todas as lâmpadas e placas foram trocadas e foi retirado o carpete da escadaria que dá acesso ao camarim, porque assim foi nosso entendimento, já que no documento dizia 'revestimento da escada de acesso'. No entanto, os bombeiros estavam referindo-se à rampa do local. Com relação às lâmpadas e as placas, apesar de novas, fomos informados de que não eram corretas", pontua a diretora. Em vez da retirada do carpete, foi dada a opção de uso de líquido antichamas, que tem apenas um fabricante no Brasil.
O custo total para as novas adequações, de acordo com ela, fica em torno de R$ 8,6 mil. "Mas eu não possuo autonomia para fazer esse investimento. Tudo precisa ser autorizado pela Pró-reitoria de Finanças e Planejamento."
Por isso, não se sabe quando as adequações vão acontecer e, dessa forma, quando as atividades voltam à normalidade. Ela adianta, contudo, que, o proprietário do local – a UEL aluga o espaço – acenou positivamente para realizar as mudanças o mais rápido possível. "O valor a ser investido por ele seria dissolvido em parcelas nos aluguéis. Mas isso também precisa ser apreciado pela Procuradoria Jurídica da UEL."

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