Com o objetivo de criar núcleos artísticos destinados a profissionais paranaenses das Artes da Cena, este primeiro projeto leva para oito cidades do Paraná o premiado cenógrafo Gelson Amaral para ministrar oficinas de Cenografia, completamente gratuitas. Um percurso com o potencial de formar mais de 300 profissionais ligados a uma parte primordial de criação artística no palco, seja ela para o teatro, música, dança ou eventos culturais.

Após passar por Londrina, o projeto Núcleos Paranaenses de Cenografia chega a Maringá para duas semanas de imersão. Depois, segue para Cascavel e, na sequência, Francisco Beltrão, Guarapuava, Ponta Grossa, Curitiba e Paranaguá. Em cada uma das cidades-sede são disponibilizadas 40 vagas para pessoas maiores de 18 anos. As vagas para Maringá estão esgotadas.

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As aulas acontecem desta segunda-feira (23) até 4 de julho, das 19h às 22h, no prédio da Diretoria de Cultura da Universidade Estadual de Maringá (DCU UEM), em parceria com o curso de Artes Cênicas por meio do Projeto de Extensão P.E.P.T (Práticas de Encenação e Pedagogia do Teatro), coordenado pelos professores Dr. Lucas de Almeida Pinheiro e Dra. Kátia Milene dos Santos Maffi.

Aprovado no Edital Qualifica Paraná, da Secretaria de Estado da Cultura – Governo do Paraná, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura do Ministério da Cultura – Governo Federal, o projeto tem como objetivo expandir a formação nas áreas técnicas das artes da cena, algo ainda pouco oferecido no Brasil em termos de profissionalização.

Projeto leva curso gratuito de cenografia a oito cidades paranaenses
Projeto leva curso gratuito de cenografia a oito cidades paranaenses | Foto: Divulgação

Com foco na arte da Cenografia, as Oficinas propõem o compartilhamento de conhecimentos conceituais, teóricos, historiográficos, estéticos, criativos e práticos desse universo conhecido muito bem por Gelson Amaral.

Formado em Arquitetura pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Amaral também passou pelo curso de Cenografia e Indumentária do CPT (Centro de Pesquisa Teatral) dirigido por Antunes Filho, sob coordenação do cenógrafo e também arquiteto José Carlos Serroni, um dos maiores nomes da cenografia nacional e que também inspira a metodologia das Oficinas com o conceito do seu Espaço Cenográfico, em São Paulo.

Em meio a inúmeras produções, impossível não mencionar o Prêmio Shell de Melhor Cenografia, recebido em 2002 por Gelson Amaral pelo cenário do espetáculo teatral “Da Arte de Subir em Telhados”, da renomada Armazém Companhia de Teatro.

“Os ofícios de profissionais das áreas técnicas do teatro são aprendizados adquiridos muitas vezes na prática. É um aprender que se faz constante”, analisa Amaral.

Por outro lado, continua o cenógrafo, é uma formação ainda pouco presente em cursos de graduação da área, tampouco em cursos livres. “Nos cursos de graduação em Artes Cênicas, algumas grades possuem disciplinas com cargas horárias curtas, onde quase não se aprende o ofício na prática, da criação à execução de cenários; e poucas são as universidades que oferecem habilitação em cenografia”, completa.

ESPAÇOS DE EXPERIMENTAÇÃO

A escassez de profissionais habilitados, com formação na área técnica para as Artes da Cena, também se verifica no Paraná. “Nossa ideia é criar, em cada cidade, um espaço de experimentação que dê a possibilidade aos participantes de vivenciarem na prática os estudos da linguagem cenográfica, com a projeção de cenários, experimentos com maquetes, manipulação de materiais e a confecção de projetos de cenários e/ou elementos cênicos”, justifica.

Mantendo a perspectiva de experimentação prática, a metodologia tem como norte a aproximação de cada participante com esses conceitos, teorias e referências enquanto experimentam o exercício do pensar criativamente e esteticamente a artesania da construção de cenários. O cronograma envolve, ainda, visitas técnicas guiadas em espaços teatrais e o exercício de criação de projetos cenográficos por meio da construção das maquetes de espaços dedicados ao teatro em cada uma das cidades-núcleo. “Assim, é possível gerar experiências e reflexões que abarcam a diversidade de espaços para a cena e de processos criativos, bem como de técnicas de construção, orçamentos, materialidades e funcionalidades dos cenários”, completa Gelson Amaral.

Gelson Amaral: "“Os ofícios de profissionais das áreas técnicas do teatro são aprendizados adquiridos muitas vezes na prática"
Gelson Amaral: "“Os ofícios de profissionais das áreas técnicas do teatro são aprendizados adquiridos muitas vezes na prática" | Foto: Fábio Alcover/ Divulgação

O projeto Núcleos Paranaenses de Cenografia vem para ampliar os conhecimentos de profissionais que já atuam na área, mas também se direciona a quem quer iniciar nesta arte, com foco em promover novas possibilidades de trabalho para outros agentes culturais. Além de Amaral, participam da proposta a pesquisadora e doutora em Artes Cênicas Carin Louro e o ator e diretor Marcos Martins, ambos com longa trajetória nas artes do espetáculo. À frente da produção executiva, o também ator e pesquisador Álvaro Canholi, da PÁ! Artística, proponente do projeto.

DESAFIOS DO PROJETO

Os desafios do projeto Núcleos Paranaenses de Cenografia não são poucos. Além de resgatar e celebrar a história da cenografia no Brasil e no Paraná, o desejo é revelar novos talentos pelo Estado, fazendo surgir uma categoria forte e qualificada de técnicos e artistas da cena nas cidades abarcadas pelo projeto ao provocar reconhecimento, reflexão e difusão do fazer cenográfico. Para Álvaro Canholi, o processo de qualificação de artistas e técnicos deve contribuir para a cena cultural do estado e para a profissionalização das áreas técnicas das Artes da Cena, oferecendo outras possibilidades de trabalho para muitas pessoas que estarão aptas a atender as demandas do mercado artístico paranaense. Os materiais para as aulas também são fornecidos gratuitamente aos alunos. “Este projeto possui caráter formativo e, por si só, já cumpre com o importante papel de atuação social, comunitária e democratizadora que toda proposta cultural deve assumir”, diz.

Em Cascavel, a próxima cidade a receber as Oficinas de Cenografia, as aulas acontecem de 21 de julho a primeiro de agosto, das 14h às 18h, no Auditório 2 do Teatro Municipal Sefrin Filho. As inscrições para Cascavel, assim como as datas para todas as outras cidades, em breve serão divulgadas. Mais informações pelo e-mail [email protected] e nas redes sociais do projeto: @nucleos_pr_cenografia

* Com assessoria.

SERVIÇO:

Núcleos Paranaenses de Cenografia | Oficinas de Cenografia

Maringá: curso até 04 de julho

Local: UEM - Prédio da DCU (Diretoria de Cultura da UEM).

Projeto aprovado no Edital Qualifica Paraná, pela Secretaria de Estado da Cultura – Governo do Paraná, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura do Ministério da Cultura – Governo Federal.

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