Projeto Permanente de Cidadania motiva debates
No Instituto de Educação Infantil e Juvenil (IEIJ), em Londrina, escola de modelo cooperativista que está completando 40 anos, o Projeto Permanente de Cidadania é o espaço aberto para a discussão constante de temas que envolvam a gestão da escola, os problemas da comunidade e do país.
Nas últimas "assembleias", o tema recorrente tem sido as recentes manifestações sociais. "A mídia tem um grande poder de impacto, mas não aprofunda o entendimento das questões. Esse papel a escola não pode deixar de fazer para a formação real de cidadãos com consciência e autonomia política", afirma a professora Luiza Leonor Cavazotti e Silva, que também é fundadora da instituição.
Na semana passada, no auditório da escola, os alunos do sexto ao nono ano do fundamental 1 se reuniram para debater mais uma vez o tema. Como mediadora, Luiza conduzia as reflexões a partir de perguntas chaves para os alunos. Em momentos predeterminados, o relator de cada grupo podia fazer as suas considerações, mas os outros alunos também fizeram suas observações espontaneamente.
"Às vezes a gente acha que eles estão bem informados, mas é preciso aprofundar isso. Ainda há muitas dúvidas sobre o que está acontecendo, o que são e as funções dos poderes constituídos, os instrumentos que temos de reivindicação e os meios de fiscalizar as ações governamentais, como os observatórios de gestão pública", avalia Luiza, que vê com otimismo as recentes manifestações.
"É preciso que desde pequenos eles aprendam a exercer o poder de voz e tenham os 'pés no chão' na hora de fazerem as suas reivindicações, principalmente através do grêmio estudantil. É necessário que também aprendam a lidar com a diversidade de opiniões e tenham condições intelectuais de construírem a sua própria opinião", comenta a coordenadora Eliana Morinaka.
O tema continuará sendo aprofundado, inclusive nas tarefas, chamadas na escola de 'cults', que sempre trazem informações atualizadas sobre os assuntos trabalhados, já que a escola não utiliza livros didáticos. Pesquisas em diversas fontes, como livros, jornais locais e nacionais, revistas e internet também fazem parte da rotina escolar. (A.P.N.)





