São Paulo, 17 (AE) - O projeto "Percussões do Brasil" estréia amanhã, às 20 horas, no Sesc Vila Mariana (Rua Pelotas, 141, telefone (011) - 5080-3000, em São Paulo), com exposição, montada no hall principal, de fotos e tambores brasileiros. "Percussões do Brasil" cumpre o que anuncia o nome - fala apenas de tambores daqui, dos toques religiosos negros às manifestações contemporâneas e de vanguarda - da Guarda de Moçambique de Nossa Senhora do Rosário, do bairro do Jatobá, à percussão virtual que usa CD-ROM, vídeos e Internet.
Surgiram, no mundo todo, na última década, diversos festivais de percussão, quase todos abrangentes, com a proposta básica de quebrar barreiras e encontrar semelhanças entre as diversas linguagens percussivas globais. Há seis anos realiza-se
em Salvador, o "Panorama Percussivo Mundial" (Percpan), que tem exatamente essa proposta e é dirigido por Naná Vasconcelos e Gilberto Gil. A partir de sua terceira edição, o Percpan foi reconhecido como o mais importante dos festivais do gênero. Tanto assim que a produção recebeu convite para reprisar a edição do ano 2000 em Nova York - as mesmas atrações de Salvador repetiriam o espetáculo na cidade norte-americana.
O êxito do Percpan inspirou várias tentativas de, em primeiro lugar, frustradamente, trazê-lo para São Paulo (e levá-lo para o Rio) e, em segundo lugar, montar o evento naqueles moldes. O festival do Sesc Vila Mariana, que tem curadoria de Myriam Taubkin e direção artística de Benjamim Taubkin, voltando-se exclusivamente para a percussão brasileira, pode ser, por sua abrangência, o primeiro fruto positivo da insistência.
Amanhã, na abertura, estará sendo inaugurada a exposição Comunidade do Tambor, com fotos de Walter Firmo (Rio) e Andréa Valentin (São Paulo). O tambor é o tema: batuques de terreiro, congadas, candomblé, carnaval urbano. Mas o projeto tem ainda shows, oficinas, ensaios abertos, grupos de manifestações populares reproduzindo suas festas. As oficinas, ensaios abertos
exposições e os shows do auditório de 131 lugares são gratuitos; as apresentações realizadas no teatro têm preços entre R$ 5,00 e R$ 10,00. O festival vai até o dia 30.
De quarta-feira a domingo apresentam-se os percussionistas Guello e Zezinho Pitoco, Zé Eduardo Nazário, Naná Vasconcelos e a Guarda de Moçambique de Nossa Senhora do Rosário do bairro do Jatobá. Sábado e domingo o espetáculo tem como atrações centrais Caito Marcondes, Fernando Falcão, o Grupo Baticum (formado por Marcos Suzano, Beto Cazes, Jovi e Negreiros
uma seleção de ouro) e Airto Moreira. No dia 25, terça-feira, é a vez de Oscar Bolão, Márcio Bahia e Fábio Paschoal (filho de Hermeto Paschoal e músico de sua banda); no dia 26, tocam Djalma Correia e João Parahyba; no dia 27, Nenê e Enéas Xavier e o grupo Mestre Ambrósio.
Todas as apresentações têm participações especiais - foram mencionados aqui somente os nomes de frente, os líderes de cada noite.
A oficinas têm início amanhã, com Paulo Dias e Pixu Flores discorrendo sobre os ritmos e as danças populares; seguem-se as oficinas de Naná Vasconcelos, Airto Moreira, Zé Eduardo Nazário, Ari Colares (sobre percussão virtual) e Nenê.
O primeiro ensaio aberto, gratuito, será no sábado - com Naná Vasconcelos e alunos da oficina de percussão orgânica. Nos dias seguintes haverá ensaios abertos do Fandango de Tamancos de Ribeirão Grande e de Airto Moreira. No encerramento, no dia 30, o Batuque do Tietê junta-se à bateria da Escola de Samba Vai-Vai e a Oswaldinho da Cuíca. Serviço - "Percussões do Brasil". Amanhã, às 20 horas, abertura da exposição Comunidade do Tambor, com fotos de Walter Firmo e Andréa Valentin, entrada franca. Shows: no teatro
de quinta a sábado, a partir das 21 horas; domingo, às 20 horas
de R$ 5,00 a R$ 10,00; no auditório, de terça a quinta, às 20h30, grátis (retirar ingressos a partir das 19h30). Teatro do Sesc Vila Mariana. Rua Pelotas, 141, tel. 5080-3000. Até 30/5

mockup