Aproveitando o potencial do texto jornalístico de servir como ferramenta de aprimoramento da língua portuguesa, leitura de mundo e fonte de informação sobre eventos da atualidade, o projeto de extensão "Impulso no conhecimento da língua portuguesa por meio dos gêneros textuais da esfera jornalística em instituições de ensino da região de Londrina/PR" está sendo aplicado desde 2012 em algumas escolas da cidade. O projeto faz parte do Departamento de Letras Vernáculas da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e tem coordenação da professora doutora Lidia Maria Gonçalves, docente da instituição há 20 anos, inclusive do curso de especialização em Língua Portuguesa.

"Dedico-me a esse tema desde o meu doutorado e realmente acredito, comprovadamente, na importância da utilização do jornal como ferramenta pedagógica", ressalta a professora, que concluiu seu doutorado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em 2004, e desde então tem desenvolvido vários projetos – renovados a cada 3 anos - dentro desse campo de pesquisa, com a participação de alunos regulares do curso de Letras e colaboradores externos.

"Na primeira etapa do projeto de extensão pesquisamos a utilização do jornal a partir da pré-escola; agora, o nosso foco é mais abrangente, já que o trabalho é bastante dinâmico e vamos trabalhando com diversas demandas dentro do tripé leitura, produção de texto e análise linguística", acrescenta. Segundo ela, o contato dos alunos da graduação com a realidade prática – quando passam a aplicar o projeto em alguma escola – é fundamental para a formação profissional do futuro professor. "Não podemos ficar apenas na teoria. É preciso 'ter os pés no chão' e isso só a parte prática pode proporcionar. Já os professores formados ganham com a atualização dos conteúdos teóricos", complementa.

Um exemplo da aplicabilidade do projeto de extensão é o trabalho que foi realizado no ano passado no Colégio Estadual Professora Olympia Moraes de Tormenta pela jornalista Nara Cordeiro, que atualmente está no segundo ano de Letras. O seu projeto, que foi aplicado em parceria com a professora de Português Cristiane Campos de Moura, fez parte do Programa Mais Educação, do Governo Federal, que promove uma série de oficinas no período do contraturno a alunos da rede pública. Para este ano a proposta é que o projeto seja aplicado novamente, mas de forma voluntária.

Com uma média de 30 alunos do ensino fundamental 2, as aulas do projeto "Letramento como elemento de transformação social e crítica com base em textos jornalísticos" incluem análise de textos jornalísticos, pesquisas na internet e produção de textos para um blog – o Gazeta Olympia - que está em fase de conclusão. Variar os locais de aula também faz parte da iniciativa: as reuniões procuram sair da rotina da sala de aula e podiam acontecer tanto no refeitório do colégio quanto na sala de informática. Recursos de áudio e vídeo, além da internet, também fazem parte da metodologia aplicada.

"Trabalhamos diversos temas na fase de produção de texto, como drogas nas escolas, ética na relação entre alunos e professores, brigas nas escolas, entre outros, como eventos escolares. Eles faziam as entrevistas e elaboravam os textos em grupo. Percebemos com esse trabalho o quanto eles melhoraram no desempenho da leitura e da escrita", relata Nara, que também realizou em 2012 um projeto de jornal escolar no Colégio Estadual Pe. Wistremundo Roberto Perez Garcia, com a publicação de seis edições.

"Esse projeto é muito interessante porque abre margem para trabalhar a poesia, a interpretação, as crônicas e como se pesquisar notícias. Aliás, até a internet ganha uma outra conotação, tendo um enfoque de instrumento de pesquisa e orientação, saindo da ideia de servir apenas como fonte de diversão. O Mais Educação também é um passo importante para que as escolas possam definitivamente serem de período integral", conclui a coordenadora pedagógica Neide Alves Silva.

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