O projeto Parna Rappers, criado pelo publicitário carioca Gabriel Gil Carregal está transformando a forma como a poesia clássica é consumida pelas novas gerações. Combinando sonetos de autores parnasianos com batidas de rap e imagens geradas por inteligência artificial, a iniciativa resgata versos centenários e os reposiciona no cenário cultural contemporâneo. "A ideia era conectar os poemas antigos com a energia dos beats atuais", explica Gabriel. O vídeo do Artur Azevedo no rap foi ganhador na categoria vídeo vertical no Festival do Minuto, na edição do mês de junho.

LEIA TAMBÉM:

Autora lança libro bilíngue na Biblioteca Pública de Londrina

O processo criativo começa pela música, produzida na plataforma Suno, onde diferentes batidas são testadas até encontrar a que melhor se adapta ao poema. Em seguida, imagens dos poetas, reimaginados como rappers modernos, são geradas por ferramentas como ImageFX, Runway e Flux Kontext. "Manter a consistência do personagem é um desafio. Cada cena de dez segundos pode exigir dezenas de tentativas até ficar perfeita", revela. Desde abril, já são 20 clipes, em vídeos verticais, que mesclam performance e poesia, com os versos originais exibidos como letras de música.

A escolha dos poemas segue critérios estratégicos: além da métrica rígida dos parnasianos (que se encaixa naturalmente no ritmo do rap), o fato de os autores já estarem em domínio público facilita questões de direitos autorais. "Alma Viúva", de Luís Delfino, foi um dos mais desafiadores: "A IA insistia em gerar vozes com sotaque português, provavelmente por causa das palavras e formalidade dos versos. Precisei encontrar um caminho alternativo", conta Gabriel. A adaptação, no entanto, preserva integralmente os textos originais, sem cortes ou alterações.

Com planos de expandir o acervo para 50 clipes, Gabriel está fazendo novos lançamentos nas plataformas digitais (Spotify, YouTube, Instagram e TikTok). E mesmo fora do escopo inicial, pedidos do público já influenciam a curadoria: "Augusto dos Anjos não era parnasiano e não estava na lista, mas se tem um lugar para licença poética, é na poesia".

Ele reforça que as ferramentas de inteligência artificial não substituem a expressão artística, mas podem desafiar os autores, expandir os projetos e coexistir com outras ações. "Talvez aconteça algo semelhante ao que vimos com o início do Instagram, quando todo mundo virou fotógrafo, e com o crescimento dos vídeos nas redes sociais, em que todo mundo gera conteúdo. Vai vir uma montanha de coisas. Vamos ver o que vai ficar de legal e o que vai ser esquecido", diz.

Confira:

YouTube: Parna Rappers

* Com assessoria.

mockup