PROJETO FRACASSADO - O Canal do desperdício
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quinta-feira, 23 de outubro de 2003
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Quase R$ 300 mil. Esta foi a verba consumida pelo Canal da Música, entre as obras de restauração do espaço e a retirada da estrutura metálica que iria se transformar nos novos estúdios da Rádio e TV Educativa (hoje Paraná Educativa), locadas atualmente no espaço. Iniciada no governo anterior, durante a gestão do ex-governador Jaime Lerner (PSB), a obra foi embargada pelo governo Roberto Requião (PMDB) em março deste ano. Para retirar a estrutura metálica que, segundo análise técnica feita pela Secretaria de Estado de Obras, estaria comprometendo o prédio, o atual governo gastou R$ 38 mil. Levando-se em conta que R$ 260 mil utilizados para levantar a estrutura, o cálculo é nada animador para o bolso do consumidor paranaense: foram jogados fora pelo menos R$ 298 mil num projeto que fracassou.
Laudo técnico feito por uma comissão e solicitado pelo governo Requião apontou que as 65 toneladas de aço instaladas na cobertura do prédio estariam prejudicando a estrutura do local, colocando as pessoas em risco. Além disso, o governo atual alega que as obras foram contratadas sem licitação, e eram, portanto, irregulares. O governo aponta ainda a ex-secretária de Estado da Cultura Mônica Richbieter como responsável pela contratação da obra.
Procurada pela reportagem, a ex-secretária de Cultura explicou que a sua pasta não tinha o poder de contratar obras. ''Tudo foi feito pela Paranacidade (vinculada à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano), com licitação. A secretaria contratou apenas realização do projeto'', esclareceu Mônica.
De autoria do arquiteto João Guilherme Dunin, filho do então secretário de Desenvolvimento Urbano, Lubomir Ficinski, o projeto de reforma do espaço foi orçado inicialmente em R$ 1,5 milhão. O custo aliás foi outra irregularidade apontada pela comissão que analisou a viabilidade da obra. De acordo com material divulgado pelo governo Requião, ''apesar de ser uma licitação com preço fechado, o governo anterior aceitou mais três aditivos que transformaram o valor originalmente previsto de R$ 1.508.120,38 em R$ 2.252.198,45, para a ampliação e readequação do prédio''.
Foram essas irregularidades que resultaram na paralisação da obra e em posterior retirada da estrutura, concluída nesta semana. Nesse meio tempo, no entanto, a paralisação trouxe prejuízo de cerca de R$ 65 mil para os cofres públicos. Numa tempestade que atingiu o espaço, em julho, o prédio e as instalações da TV Educativa ficaram totalmente prejudicados e a programação da tevê chegou a ficar fora do ar por uma semana. O governo calcula ter gastado R$ 62 mil para tornar o prédio habitável novamente.
Agora, vai ter que gastar outros R$ 68 mil para fazer um novo telhado para o Canal da Música. A Secretaria de Estado de Obras ainda não tem previsão de conclusão da nova reforma. Já para a estrutura metálica retirada da cobertura do prédio, o governo já definiu um destino. A estrutura feita de vigas próprias para viadutos e tubulação de uso naval foi doada para o Provopar (Programa de Voluntariada Paranaense) e está depositada no pátio do Departamento de Estradas e Rodagem (DER), no bairro Atuba, até que se defina a sua utilização.


