PROJETO FOLCLORE - As riquezas culturais do Brasil
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segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Ana Paula Nascimento <br> Reportagem Local 
Com a influência cada vez maior da cultura norte-americana nos desenhos e brinquedos infantis, ter um mês dedicado especialmente ao folclore brasileiro parece ser uma estratégia necessária para reforçar a partir da infância as riquezas de nossas origens. Parte integrante do conteúdo curricular que deve ser trabalhado no mês de agosto, o folclore ganha destaque nas escolas nesse período. No caso da Escola Municipal Professor Moacyr Camargo Martins, de Londrina, o tema, que foi trabalhado desde abril, resultou em uma tarde festiva em que alunos e pais puderam juntos conhecer e vivenciar aspectos folclóricos da nossa cultura.
A abertura do evento contou com a manifestação folclórica paranaense da dança da fita, bem executada pelos alunos. Após a apresentação, os pais - acompanhados dos filhos - foram divididos em grupos para conferir os trabalhos em salas temáticas. Cada atividade durava 20 minutos. ''Pela primeira vez procuramos aliar a culminância do Projeto Folclore com a Semana da Família e a adesão dos pais foi muito boa'', comenta Maria Angélica Bianconi, auxiliar de supervisão. Ao todo vieram 200 pais, sendo que a escola possui 292 alunos do 1º ano à quarta série. ''Acreditamos que esse resgate cultural, que anda meio esquecido, é importante para todos'', acrescenta.
O circuito de visitas foi iniciado na sala dedicada à literatura de cordel. Recepcionados pela aluna Pamela Rhauanny Machado da Silva, 10 anos, que estava caracterizada de Maria Bonita, os pais puderam apreciar as poesias e os trabalhos de xilogravura produzidos pelos alunos. A atividade também teve um momento em que os pais arriscaram-se a produzir uma xilogravura.
Já em outra sala, dedicada ao resgate das cantigas de roda e canções de ninar, foi possível perceber a emoção dos pais ao vivenciarem esse momento de aconchego com os filhos. ''Com a correria da vida moderna, a família não está conseguindo preservar momentos assim, que são tão importantes. Uma canção de ninar antes de dormir ajuda a tranquilizar e reforça os laços afetivos'', afirma a professora Silvana Fagundes Heffer.
Também teve o espaço dedicado às brincadeiras antigas - como cama de gato, cinco marias e elástico -, que garantiram diversão para as crianças e os pais. ''Vimos com essa ação o quanto as crianças estão abertas para esse tipo de brincadeira. Conversamos com elas do quanto, na minha época, um simples cadarço podia ser utilizado para brincar de cama de gato, e que cinco pedrinhas viravam as cinco marias'', comenta a professora Sirlene Moura de Sá.
Na sala dedicada às lendas folclóricas, os pais puderam conhecer a Lenda do Uirapuru e produzir uma dobradura referente ao pássaro da Amazônia que é conhecido por executar o ''canto mais bonito do mundo''. Em uma árvore de papel fixada na lousa, os pais e as crianças colocaram seus pequenos pássaros de papel.
Parlendas, adivinhações e provérbios também resultaram em muitas gargalhadas e descontração com pais e filhos soltando a língua e a imaginação.
O projeto ainda proporcionou no pátio da escola a oportunidade dos filhos brincarem com os pais de perna de pau, pé de lata, corda, bilboquê, ioiô, jogo da velha e até bets. Vários dos brinquedos foram confeccionados pelos alunos a partir de sucatas.
No final, houve um grande lanche coletivo em que todos puderam compartilhar suas impressões. O projeto ainda incluiu pesquisa sobre ervas medicinais brasileiras e até a releitura com desenhos da obra A Vaca Amarela, de Franz Marc, sobre a quadrinha Vaca Amarela, tão conhecida entre as crianças.
Sobre a participação dos pais no evento, a dona de casa Walkírya Giarletti, mãe de Yago Giarletti Dias, 8 anos, aprovou a iniciativa: ''É bom para as crianças e acho que todo o esforço é válido para que possamos participar de atividades como essa. Ir às reuniões da Associação de Pais e Mestres também é importante para participarmos das decisões da escola''. O auxiliar de produção David Martins Pereira, pai de Miquéias Santos de Aquino, 8 anos, também elogiou o novo formato do projeto. ''O valor da família está se perdendo e esse tipo de atividade traz benefícios para a relação entre pais e filhos. Deu para ver também o quanto eles se divertem com brincadeiras simples e inocentes, que, pela correria, deixamos de brincar'', avalia.
Vida no Nordeste
A vida de um nordestino,
É alegre e festeira.
O forró e a jogatina
É pra eles brincadeira.
A mulher carrega os baldes
Cheio de água do poço.
Chega em casa tão cansada
E ainda prepara o almoço.
As crianças em volta da mesa
Ansiosas esperam seu alimento.
Às vezes um prato de feijão
É seu único sustento.
E assim eles vão vivendo,
Este é seu dia a dia.
Não reclamam dessa vida
E o que não falta é alegria!
Aluna: Juliana Bernardino Rosa, 4ª série A


