PROJETO EDUCATIVO - Semeando um futuro melhor
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segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Ana Paula Nascimento <br> Reportagem Local 
Com o objetivo de levar novas perspectivas de vida e ampliar os horizontes profissionais de adolescentes de famílias de baixa renda, o Projeto Crescer está sendo realizado com 146 alunos de 10 a 15 anos de escolas públicas de Arapongas. Resultado de parceria entre a Unopar e o Lions de Arapongas, as atividades em contraturno acontecem no campus da universidade, em Arapongas. A iniciativa em parceria começou em 2009, mas desde 2004 o Lions Clube já realizava o projeto, exclusivamente com meninos, na Casa do Bom Menino de Arapongas - uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip).
Aulas de reforço escolar, canto, dança, esportes (inclusive natação), artesanato e informática complementam de forma diferenciada o conteúdo que os alunos estão vendo na escola regular. Com aulas de manhã e à tarde, conforme o turno de estudo, os estudantes têm a oportunidade de ampliar o conhecimento e sentir o ''gostinho'' de estudar dentro de uma universidade. Uniformes e alimentação (almoço e lanche) também fazem parte da iniciativa.
''Eu sempre comento com eles que o nosso desejo é vê-los em breve aqui, como alunos do ensino superior'', afirma Cláudia Regina Silva Pinto, responsável pela coordenação do projeto por parte do Lions Clube. Já o professor Lúcio Mauro Rocker dos Santos, coordenador do curso de Enfermagem e responsável pelo projeto no âmbito da Unopar, ressalta que o projeto procura fazer uma releitura da escola, levando aos alunos metodologias mais modernas e lúdicas. ''A participação dos nossos universitários no projeto é uma forma de aperfeiçoamento acadêmico'', argumenta Santos.
A maioria dos 40 instrutores, que são remunerados com bolsas, estudam na Unopar e o projeto também é a chance deles colocarem em prática a teoria que veem em sala de aula. ''Para mim está sendo uma experiência que não tem preço, pois estou aprendendo muito com eles. Além do conhecimento esportivo, passamos informações sobre hábitos alimentares saudáveis e noções de cidadania'', destaca Rayna Nicole Brito, 23 anos, instrutora responsável pelas aulas de Educação Física. ''Chegamos a ter alunos com 11 anos que não sabiam chutar bola por falta de coordenação motora e conseguimos reverter isso. Outro fato interessante é que nossos alunos são referência nas escolas que estudam pelo bom comportamento que apresentam'', acrescenta.
Na aula de canto, um grupo de meninos esbanja afinação ao reinterpretar a canção ''Eu fico assim sem você'' (de Claudinho e Buchecha), na voz de Adriana Calcanhotto. Sob a orientação da professora de canto-coral Simone Fraqueta, eles aprendem ritmos, musicalização infantil e noções básicas de técnica vocal. ''Eles gostam muito de rap, mas procuro ampliar o repertório musical deles trabalhando com todos os estilos'', explica.
Já na aula de dança do professor Alex Hernandes Valentin - que se graduou neste ano em Educação Física pela Unopar -, a animação das alunas é contagiante durante a coreografia de axé. A disciplina é oferecida uma vez por semana, mas pelas alunas ela poderia acontecer todos os dias. ''É muito gratificante dar aulas pelo projeto por percebermos a transformação que isso faz na vida deles. No caso das meninas, é comum as mães comentarem do quanto essa atividade as deixa mais desinibidas, melhorando a autoestima'', pondera o professor. Recentemente as alunas participaram de uma atividade em que tiveram que simular todas as etapas de organização de um evento de dança.
Em um moderno laboratório de informática, durante três vezes por semana os alunos ainda têm aulas práticas de inclusão digital com o professor Jonathan Plaine da Silva, de 20 anos, no segundo ano do curso de Análise de Sistemas. Uma vez por semana a atividade é livre e os alunos podem utilizar a internet e fazer trabalhos escolares.
O projeto também prevê bolsas de estudos no ensino médio em escolas particulares para os alunos que melhor se destacarem. Além da avaliação comportamental e cognitiva, o envolvimento dos pais é um critério importante no processo seletivo. Os interessados em participar do projeto podem entrar em contato pelos telefones (43) 3172-7596 / 8829-9341 (falar com Cláudia).


