Logo no hall de entrada do Museu de Arte de Londrina os alunos do Colégio Interativa, de Londrina, se surpreendem com dezenas de saquinhos cheios de terra dispostos no chão. ''É para pegar?'', questionam alguns. Intitulada ''Paz no Campo'', a instalação do artista plástico Rubens Pillegi Sá (RJ), que totaliza 540 saquinhos de terra (250 ml cada) para distribuição gratuita ao público, introduz o espectador ao tema do 1º Salão Londrina de Arte Contemporânea: ''A Arte em Defesa da Terra: Urgente''. A mostra, inaugurada na última quinta-feira, segue até o dia 20, expondo 26 trabalhos de seis estados brasileiros selecionados no 1º Prêmio Londrina de Arte Contemporânea.
Admirados com a variedade de obras no local, o grupo de 19 alunos do 6º ano do ensino fundamental 1 (antiga quinta série) acompanha atentamente as explicações da monitora Janaina Dalto Nakamura. Um certo estranhamento causa o projeto de instalação ''Segunda Geração'', que propõe a reflexão sobre os desastres ecológicos ocorridos pelo vazamento de petróleo nos mares pelo mundo.
Em um canto da sala, aves feitas de material reciclável, manchadas de óleo, sobre uma margem de areia, contrastam com um monte de bagaço de cana, que faz referência à pesquisa brasileira de álcool combustível a partir do bagaço e a palha de cana - fontes de celulose que respondem por dois terços da energia da planta, mas não são convertidos em biocombustíveis. A obra é de Franciele Buscariolo Nunes (Jandaia do Sul/PR).
Adiante, os alunos contemplam o quadro ''Impressões Visuais'', de Antonio Pedro Belém (Marília/SP), feito com dezenas de tampinhas plásticas. Refletindo sobre a relação da ecologia e a reciclagem, vale o lembrete da importância de cuidar do descarte desse material que pode causar a morte de animais marinhos que acabam ingerindo muitas vezes essas tampinhas quando jogadas ao mar.
Utilizando objetos associados à infância, como soldadinhos de plástico, balde de plástico e pecinhas de madeira de jogo infantil, juntamente com uma caixa d' água, a obra de Iuri Aleksander (Londrina/PR) faz uma contraposição entre homem e natureza, novo e velho, real e fictício. Além disso, abre releitura para a luta pela água e pelo perigo de sua escassez, tornando as áreas áridas como os mini cactos que também compõem o trabalho exposto.
No piso superior do museu, os alunos se empolgam com a exposição de dois vestidos (que se assemelham aos de uma noiva) feitos com cerca de 20 mil papéis de balas e bombons. Denominado ''Êxtase'', a obra de Wanderléia Riguetti (Cambé/PR) reaproveita materiais descartados tendo como proposta fazer uma relação com festividades como o carnaval e o casamento.
Ao assistirem a exibição da vídeo arte ''Tempestade'', de Bárbara de Azevedo (SP) - que conquistou o primeiro lugar no Prêmio -, eles ficaram curiosos para descobrir qual material a artista utilizou para fazer o vídeo, que tem duração de um minuto.
Outra obra que chamou a atenção da turminha foi a de Márcio Diegues (Londrina/PR), que em seus ''Cadernos de Artista'' retratou com sensibilidade sua vivência com a paisagens por meio de desenhos feitos com nanquim e grafite preto. O trabalho conquistou o segundo lugar.

Treinando o olhar
A professora Régia Rodrigues, responsável pela disciplina de arte do primeiro ano do fundamental 1 até o ensino médio, conta que a proposta pedagógica da escola contempla a arte contemporânea, que trabalha com vários métodos e materiais inusitados. ''Esse tipo de visita é fundamental para melhorar o nível de compreensão dos alunos. É uma forma de treinar o olhar para a arte contemporânea, já que a maioria das pessoas está mais acostumada com a arte tradicional'', pondera.
O idealizador da mostra, Marcos Antonio da Costa, ressalta que a proposta é resgatar a efervescência da produção local na área de artes visuais, que teve seu auge nos anos 80 e 90, reforçando também a sua relação com a educação. ''A ideia é que os professores se apropriem cada vez mais desses conceitos e sejam multiplicadores'', afirma. ''A arte se pauta em questões políticas, critica o meio em que vivemos e nada mais pertinente que debater sobre a questão ambiental, que coloca em risco as gerações futuras'', acrescenta, adiantando que a intenção é que o salão aconteça anualmente. Realizado pela Aluá Arte Brasil, o projeto é patrocinado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic).
O Museu de Arte fica na Rua Sergipe, 640. As visitas monitoradas podem ser agendadas pelo tel. (43) 3337-6238. Mais informações pelo www.artecontemporanealondrina.art.br.

PROJETO EDUCATIVO - Arte contemporânea a favor da natureza
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