Projeto ''descobre'' Londrina e concorre a prêmio nacional
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segunda-feira, 22 de setembro de 2003
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Num tempo em que o uso da Internet dá acesso a todos os lugares do mundo e chama a atenção para o que está fora e distante, alunos do Colégio Estadual Vicente Rijo aceitaram o desafio de descobrir e organizar as informações da sua própria cidade. Perceberam o quanto desconheciam a história de Londrina e se empenharam em reunir em um único material dados que até então só eram encontrados de forma dispersa.
O trabalho resultou no ''Atlas Histórico e Geográfico do Município de Londrina'', uma publicação inédita que está concorrendo ao ''Prêmio Victor Civita Professor Nota 10''. Dos 4.027 projetos inscritos, apenas 12 foram selecionados como finalistas. No dia 7 de outubro, no Teatro Abril, em São Paulo, será divulgado o resultado final. O prêmio para o primeiro lugar é R$ 10 mil e um curso de inglês de três semanas na Inglaterra, com todas as despesas pagas.
Antes do resultado, os finalistas ainda vão ter que defender os projetos para uma banca de examinadores que inclui representantes do Ministério da Educação e Cultura (MEC) e jornalistas. Recentemente, o trabalho foi divulgado na Revista Nova Escola e foi tema de reportagem da TV Cultura, que veio até Londrina conhecer o projeto. O programa será mostrado após o resultado final do concurso.
Idealizado pela professora de Geografia, Ivone Baioni Garcia, o projeto teve a coordenação de mais quatro professoras incluindo outras duas disciplinas diferentes: Lucimaria Tirolla Antunes (Geografia), Maria Helena Bolonhezi (Português), Vera Lúcia Casado (História) e Wilma Anchieta Spanholi (Geografia). ''O trabalho proporcionou que os alunos entendessem melhor o espaço em que vivem e as transformações que o homem produziu no decorrer da história. Eles também tiveram muitas vivências, através de visitas a locais históricos da cidade, o que gera mais condições de análise'', disse Ivone, que há 25 anos se dedica ao magistério. ''O trabalho de campo é fundamental porque gera um referencial teórico comprovado na prática'', acrescentou Wilma.
Ao todo, 240 alunos de 5 e 7 séries participaram do trabalho, que foi conduzido de forma paralela às disciplinas curriculares. Durante seis meses, de maio a novembro de 2002, os alunos enfrentaram uma verdadeira maratona de pesquisas selecionando material para a confecção do atlas. Entrevistas com pioneiros, arquivos históricos e jornais antigos foram alguns dos materiais pesquisados.
O resultado é um atlas com informações de história e geografia, incluindo também dados sobre a economia e turismo da região e até um mapa inédito sobre o relevo de Londrina, elaborado especialmente para a edição pelo geógrafo Marcos Waldemir Buche. ''Um dos objetivos foi facilitar o ensino de geografia na sala de aula; procuramos colocar mapas mais didáticos e informações bem sistematizadas'', destacou Ivone.
''O projeto foi muito estimulante. Passei a gostar de fazer pesquisas e tive mais vontade de estudar. Acho até que deveria ter uma lei para que todos conhecessem a sua cidade. Eu não conhecia muita coisa e adorei conhecer os pontos turísticos de Londrina'', comentou a aluna Maryelle Dultra de Souza, 14 anos.
Para Raul Ambrozio Valente Neto, 12 anos, passar muitas horas na biblioteca com os colegas passou a ser uma diversão. ''Os alunos ficaram muito unidos e
aprendi tudo sobre Londrina. O trabalhou me incentivou a escrever, o que melhorou a minha redação, e vai também contribuir quando eu fizer vestibular'', disse o aluno, maringaense, que há três anos mora em Londrina.
No final do ano passado, o trabalho ganhou o primeiro lugar no ''Projeto Vale Saber'', promovido pela Secretaria Estadual de Educação. A premiação, no entanto, que seria um computador para cada um dos professores envolvidos no projeto, não foi entregue até agora. Um manifesto de protesto foi elaborado pelas professoras, em março, e encaminhado ao Núcleo Regional de Educação (NRE). O chefe do Núcleo, Rony dos Santos Alves, afirmou que 1,3 mil professores do Estado estão na mesma situação. A maioria não recebeu os computadores prometidos e os poucos que receberam o prêmio ficaram frustrados ao constatar que os equipamentos vieram quebrados e faltando peças. O assunto deverá ser discutido numa reunião esta semana na Secretaria Estadual de Educação.


