Projeto de novo prédio no centro de SP divide comunidade de arquitetos
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quinta-feira, 01 de julho de 1999
Por Jotabê Medeiros 
São Paulo, 02 (AE) - O governador Mário Covas quer fincar a pedra fundamental do predião no dia 1.º de janeiro. A comunidade de arquitetos de São Paulo ainda está atônita e acha que tudo não passa de um balão-de-ensaio. Mas o fato é que o negócio parece que está avançando. Na quarta-feira, o prefeito Celso Pitta e o presidente do Grupo Brasilinvest, Mário Garnero, assinaram protocolo de intenções incluindo o projeto São Paulo Tower - um dos mais altos prédios do mundo a ser instalado no centro da cidade - na linha de incentivos do Programa de Valorização do Centro (Procentro).
Se o projeto for concretizado, a cidade de São Paulo vai ter sua paisagem radicalmente modificada, recebendo um megaedifício de 494 metros de altura - maior que o World Trade Center (WTC) de Nova York, que tem 417 metros. Um Godzilla de concreto, aço e vidro. Segundo seu principal articulador, o empresário Mário Garnero, do grupo Brasilinvest, o São Paulo Tower - nome do predião - será um empreendimento destinado a recuperar e renovar áreas degradadas do centro da cidade. Com investimento de US$ 1,6 bilhão, 103 andares e 1,3 milhão de metros quadrados de área construída, o projeto recém-lançado pelo Brasilinvest vai ser sede de hotéis, shopping center, flats
escritórios e um centro de convenções. Quando estiver pronto, 50 mil pessoas se movimentarão, por dia, no megaedifício - uma população equivalente às cidades de Paulínia (SP) e de Mairiporã (SP).
Para os arquitetos de São Paulo, não se trata apenas de estar contra ou a favor do projeto. Há sinais de descrença na efetividade do projeto. "Eu acho que eles estão primeiro querendo saber quais as facilidades que o Estado pode oferecer"
diz Jon Maitrejean, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Para Maitrejean, não foi dado a conhecer à opinião pública nada ainda sobre o projeto. Apenas uma perspectiva foi apresentada e não permite grandes digressões sobre a proposta dos empresários. De qualquer modo, pondera Maitrejean, "fazer torres é uma coisa que já está fora de moda".
Para o arquiteto Marcelo Ferraz, que foi assistente de Lina Bo Bardi, é possível tirar algumas conclusões sobre a perspectiva do prédio apresentada pela Brasilinvest. A principal delas é que a construção do edifício não se insere dentro de um esforço de revalorização dos espaços urbanos de São Paulo. "Eles não estão preocupados em resolver o problema do ser urbano, em melhorar a cidade", avalia Ferraz. "O projeto reflete uma discrepância na interpretação da cidade, que tem tantos espaços vazios para serem ocupados e não precisa de algo tão enorme". Ferraz vê com ironia as comparações com a polêmica que se criou quando da inauguração de outras obras de grande porte ao redor do mundo, como a Torre Eiffel, em Paris. "A Torre Eiffel era diferente, era um monumento, e a arquitetura nem sempre precisa ser monumental".
Segundo o arquiteto Júlio Neves, também presidente do Museu de Arte de São Paulo (Masp), a divulgação do projeto pela Brasilinvest tem pelo menos um lado positivo: despertou o interesse pela discussão sobre a revalorização do centro de São Paulo. "A princípio, acho que tudo aquilo que possa ser feito para melhorar aquela área, que está deteriorada, é válido", diz Neves. O arquiteto crê que a idéia de Garnero é construir o São Paulo Tower na zona cerealista, na Estação do Pari, único local onde caberia algo desse porte. "É um desejo antigo da cidade e é bom, como também seria bom qualquer coisa naquele local", pondera. Mas Neves prefere esperar para ver o projeto antes de emitir sua opinião. Cidade global - Segundo Garnero, o objetivo do projeto é "fazer com que a cidade concretize finalmente sua vocação de cidade global e centro mais importante de negócios da América Latina". A Brasilinvest tem argumentos fortes para conseguir seu intento: na primeira fase da construção, o empreendimento poderá gerar entre 2.166 empregos diretos e 3,2 mil indiretos. O grupo crê que a obra terá, também, uma grande capacidade de atrair turismo para a cidade e novos investimentos, trazendo nova perspectiva econômica para o centro de São Paulo, incrementando ainda mais o impacto econômico do complexo para a cidade e servindo de âncora para a completa requalificação da área central da cidade. O projeto, quatro prédios interligados por áreas de uso, foi criado em forma de pirâmide pelo escritório de arquitetura de Minoru Yamasaki Associates, de Michigan (EUA), o mesmo que projetou o WTC.


