A perspectiva de diminuir o preconceito com relação aos deficientes e ampliar as formas de comunicação motivou a jornalista Cynthia Camargo e a educadora Marta Codas a montarem o projeto Comunicação Total: Por Uma Inclusão Educativa Efetiva e Sem Discriminação. Com o apoio da Fundação Ashoka, entidade norte-americana sem fins lucrativos que patrocina diversos projetos sócioculturais no Brasil, foi desenvolvida uma metodologia para uma inclusão efetiva, que lida com as diferenças de forma inovadora. Em Londrina, por enquanto as escolas Seta - A Nossa Escolha e Santa Maria firmaram a parceria.
Entre as sugestões apontadas pelas empreendedoras sociais estão o ensino da Linguagem Brasileira de Sinais (LiBras), utilizada pelos deficientes auditivos, e o Braile, usado pelos deficientes visuais. A diferença é que as aulas seriam para os alunos sem deficiência. ''É uma forma de na prática eles conhecerem diferentes formas de comunicação, que poderão ser utilizadas na comunicação com os colegas especiais, e serem menos preconceituosos'', disse Cynthia.
No ano passado, as duas empreendedoras realizaram dois grandes eventos na Universidade Estadual de Londrina (UEL) para ampliarem o debate sobre a inclusão. Participaram representantes de diversas escolas da cidade e entidades que atendem aos portadores de deficiência especial. Como parte do trabalho, também elaboraram um questionário com diversas perguntas relacionadas ao universo da inclusão voltado aos alunos, seus pais, professores e funcionários. O material está sendo repassado para escolas de Londrina, Florianópolis e Ciudad Del Leste, no Paraguai.
''Buscamos aprofundar esse conceito, porque mesmo depois da determinação do governo federal de que as escolas recebam os alunos com necessidades especiais, ainda há muitas dúvidas sobre isso e pouco preparo para lidar com isso'', ressaltou a jornalista.
A paraguaia Marta Codas, que atualmente está acompanhando o trabalho em Florianópolis, sabe o que significa o desafio de lidar com a temática das diferenças em uma sociedade que cada vez mais parece se pautar por padrões estéticos e de comportamento ideais. Há 20 anos ela se dedica a criação de entidades de apoio a portadores de deficiências no Paraguai e teve no próprio filho, portador de deficiência mental, a motivação para esse trabalho. ''O meu filho (já falecido) veio para mostrar o caminho que eu deveria seguir'', ela costuma afirmar. Ao todo, foram seis as entidades que montou no Paraguai, país que ainda é muito carente nesse área de assistência.
Para a jornalista Cynthia, é importante que as escolas e entidades percebam que o projeto vai além da questão da inclusão e da educação especial nas instituições de ensino, abordando mais o público sem deficiência que precisa também estar preparado para lidar com as diferenças. Para participar do projeto, não há custo adicional além de investir em um professor para o ensino de LiBras e Braile. O objetivo delas é repassar a metodologia e fazer um monitoramento para averiguar a eficiência do projeto.''A nossa expectativa é que as escolas públicas também se interessem pelo projeto, já que são as que têm o maior número de alunos'', afirmou Cynthia. Mais informações podem ser obtidas pelo endereço eletrônico [email protected].

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