Para elas, sair da sala da aula já é motivo de festa. Imagine subir num ônibus, percorrer o centro da cidade e visitar um museu de arte. É o que vem ocorrendo há um ano com crianças de terceira e quarta séries do ensino fundamental da rede escolar pública de Londrina através do projeto ‘‘Arte nos Arcos’’.
O projeto está comemorando seu primeiro ano de atividades no Museu de Arte (Rua Sergipe, 640) com uma exposição de desenhos da criançada e registros fotográficos das atividades de arte-educação desenvolvidas no local. ‘‘Nosso objetivo é que as crianças passem a entender os princípios básicos da criação artística e cresçam visitando o museu, além de incentivarem os pais a virem para cᒒ – explica o estagiário Jeancarlos Nunes Garcia, que monitora o projeto.
O ‘‘Arte nos Arcos’’ consiste em levar turmas de 20 a 35 crianças para conhecer o museu, tomar contato com obras de artistas consagrados, estimular interpretações das telas e esculturas expostas, além de desenvolver atividades criadoras manipulando tintas e pincéis. As visitas são realizadas todas as terças e quintas-feiras, das 9 às 12 horas e das 14 às 16 horas.
Numa primeira etapa, os alunos assistem um vídeo que conta a história de Londrina e do museu (que já foi a rodoviária), a importância de sua arquitetura modernista e o posterior tombamento como patrimônio histórico. Em seguida, as crianças dão uma volta de ‘‘reconhecimento’’ em torno da edificação.
Depois, contemplam as obras expostas e são incitadas a expressar opiniões e comentários sobre o que viram. ‘‘Como geralmente é o primeiro contato das crianças com a arte, explicamos as diferenças entre pintura e escultura, pintura figurativa e abstrata e os materiais que são utilizados para fazer uma coisa e outra’’ – diz Jeancarlos.
Na última etapa, as crianças são levadas para o pátio colocando a ‘‘mão na massa’’ sobre uma lona e sob os arcos do museu. ‘‘Procuramos mostrar que seus desenhos não precisam ser bonitos, e sim que sejam expressivos, que revelem o jeito particular como vêem o mundo. Insisto também para que não copiem um do outro e mostrem sua originalidade’’ – salienta.
Ao final das atividades, os desenhistas mirins falam sobre suas experiências estéticas e o que acharam – e aproveitaram – das horas que passaram no Museu. Jeancarlos conta que a idéia do projeto foi gestada ao perceber as limitações da função de monitor de exposição para crianças. ‘‘Notei que ficar apenas falando, enchendo as crianças de informações, acaba entediando. Elas precisam manipular os instrumentos, fazer arte’’.
Em um ano de projeto, Jeancarlo recebeu turmas quietas e outras mais desenvoltas e críticas. ‘‘Uma vez um grupo de crianças viu um quadro com um índio e desandou a falar sobre a opressão sofrida pelos índios ao longo da história do Brasil, além de fazer observações bem pessoais sobre outras obras. Fiquei bastante emocionado’’.
A exposição comemorativa do projeto está instalada no mezanino do Museu. Foi aberta no último dia 29 e vai até o próximo dia 30 reunindo uma fatia da produção artística deixada pelos pimpolhos. Em um ano, aproximadamente 1200 alunos passaram pelo Museu. Mais informações e agendamento de grupos pelo fone (43) 337-6238.