PROJETO - Paranaense quer gramática unissex
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sábado, 19 de junho de 2004
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Inconformado. Assim, o técnico de informática Jeováh Batista de Almeida, de Ribeirão do Pinhal (57 km a oeste de Jacarezinho), define-se quando fala sobre a gramática brasileira. Aos 57 anos, ele está à procura de apoio para escrever um livro propondo a remodelação da gramática, abolindo o predomínio do gênero masculino. ''Não entendo porque eu tenho que falar 'eles estavam', por exemplo, quando estou me referindo a um grupo de mulheres em que haja a inclusão de apenas um homem'', disse.
Há 30 anos ele conta que se sente incomodado com a forma como a gramática está estruturada. ''Para mim, isso é uma demonstração explícita de machismo. Desde de a promulgação da Constituição de 1988, em que foram estabelecidos os direitos iguais entre homens e mulheres, esperava que essa questão sobre os gêneros na gramática fosse revista. Como isso não aconteceu, decidi tomar uma atitude e levar esse debate à sociedade'', afirmou.
Ele contou que não sabe ao certo a origem do seu inconformismo. Relatou que não foi influenciado por ninguém da sua família, mas que desde os primeiros dias na escola ele estudou até o segundo grau se recusou a aceitar pacificamente a ''generalização para o masculino''.
Divorciado e pai de ''duas filhas e um filho'', ele nunca responde que tem ''três filhos''. ''Pra que dizer isso? As pessoas precisam parar de ter preguiça e começar a falar direito. Não quero 'masculinizar' as minhas filhas'', destacou.
No livro que pretende escrever, Almeida sugere na sua ''reciclagem gramatical'' o estabelecimento da ''disciplina escolar unissex'' onde as crianças seriam treinadas a construir as frases sem privilegiar o gênero masculino. Como exemplo, sugere, ao invés de dizer ''cada um faz a sua parte'', optar por ''cada pessoa faz a sua parte''. Outra sugestão é no lugar de ''seja bem vindo'', usar outras opções ''mais unissex'' como: ''fez bem em vir, que bom que veio, feliz por te ver ou sua presença nos honra''.
Mais radical, Almeida também instiga as mulheres a fazerem um ''boicote pacífico'' deixando de comparecer a eventos em que os convites sejam impressos ou anunciados só no masculino. Ele critica o fato de que com o passar dos anos deixou-se de grafar, entre parênteses, a letra ''a'' para informar que a palavra servia para o feminino e masculino. ''Esperei muito por uma manisfestação de alguma juíza por ela entender de leis e saber que no código penal não consta que seja crime fazer a inclusão do feminino em tudo que se escreve ou fala.''
Dentro da própria casa, com relação a suas filhas, ele salienta que não é muito bem compreendido.''A impressão que dá é que elas acham que eu não deveria me envolver nesse tipo de assunto, que isso extrapola o meu conhecimento, que é muito atrevimento meu, mas ainda assim acho que vale a pena propor essa discussão. É a minha maneira de homenagear as mulheres, que acredito são menosprezadas pela maneira como a gramática brasileira está estabelecida'', defendeu Almeida.


