Curitiba - Uma comissão formada por conselheiros do Museu da Imagem e do Som (MIS) e representantes da Sociedade Amigos do Museu apresenta hoje, na Secretaria de Estado da Cultura, em Curitiba, três projetos que podem resgatar a imagem e o acervo do museu. Em março deste ano, o MIS foi transferido de sua sede, na rua Barão do Rio Branco, no centro da cidade, para o antigo conglomerado do Banestado, no bairro Santa Cândida, para que o prédio central fosse restaurado. Seis meses se passaram, o museu está fechado para o público e o acervo ainda está acondicionado em caixas provisórias em um espaço igualmente provisório. Também não há previsão do início da restauração do prédio que abrigava o acervo há 14 anos para que o museu volte a abrir suas portas em sede própria.
Um projeto ambicioso, no entanto, pode mudar essa situação. A Coordenadoria do Patrimônio Cultural, da própria Secretaria da Cultura, elaborou um proposta de reforma, restauro e ampliação da sede do MIS. O projeto consiste, além de reformar o prédio dentro de exigências museológicas seguindo padrões internacionais, em anexar o prédio ao lado, que atualmente abriga o Centro de Triagem da Polícia Civil, à sede do MIS. Sem mencionar custos, a proposta prevê a construção de auditório, amplo espaço para reserva técnica, equipamentos que permitam acesso gratuito à internet e espaço de reforma para exposições.
Ao lado de outras duas propostas de documentação e restauração do acervo, elaborados pela Funarte e pela museóloga baiana, Rosana Nascimento, o projeto será levado ao governador Roberto Requião (PMDB), que deve decidir a viabilidade dos projetos. Antes porém, é pauta de reunião hoje com a secretária da Cultura, Vera Mussi. ''Além de reformar o prédio, queremos colocar os acervos em condições de prestar serviço ao público'', diz a diretora do MIS, Maria Amélia Junginger. Ela lembra que não basta um museu ter objetos para constituir um acervo. ''Eles devem ser catalogados e armazenados em condições museológicas e num espaço adequado'', ressalta.
O prédio onde o museu funcionava até março, não chegava a atender essa característica. O edifício de dois andares foi construído no final do século 19. Na década de 70 foi tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Estado. Desde 1989 abrigava o acervo do museu, mas o prédio estava em péssimas condições colocando em risco o próprio acervo. Rachaduras, goteiras, desabamento de parte do teto por causa das chuvas foram apenas alguns dos percalços atravessados pela reduzida equipe do museu.
Em março deste ano, com a promessa de restauração da sede, a equipe e o acervo, composto por mais de 1 milhão de imagens fixas (entre negativos, fotos e documentos) foram transferidos para uma espaço de 1,2 mil metros quadrados cedidos pela Secretaria de Estado da Educação, no Santa Cândida.
O atual espaço não tem capacidade para montar exposições e a atuação do museu hoje está restrita para atender pesquisadores e os próprios órgãos estaduais. Cedeu para a Rádio e Televisão Educativa, por exemplo, as imagens das passagens de Getúlio Vargas pelo Paraná, nas matérias que marcaram a data da morte do ex-presidente, no final de agosto. O acervo do museu ainda é composto por fotografias e negativos do fotógrafo Guilherme Gluck, do Palácio Iguaçu desde 1943 e de uma arquivo único de imagens do fotógrafo Jesus Santoro, morto no ano passado. A filmografia recente do Estado e alguns filmes antigos também fazem parte do montante.
Se todo esse acervo ainda não se perdeu no tempo, pela falta de atenção dispensada ao museu, ele agora está restrito apenas à pesquisa de estudantes que tem boa vontade em encontrá-lo. No site da Secretaria da Cultura, por exemplo, o endereço do MIS permanece como sendo o antigo prédio da Barão do Rio Branco, hoje fechado. Os projetos que podem mudar essa situação ainda não tem data para serem apresentados para o governador.

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