Onde tem criança tem diversão, barulho, alegria e, principalmente, muita criatividade. Essa mistura de características é bem aproveitada em Londrina pela Escola Municipal Mábio Gonçalves Palhano, no Parque Ouro Branco, que desde 2000 desenvolve o projeto ''Leitura do Autor'', reforçado esse ano pela parceria do ''Folha Cidadania'', projeto da Folha de Londrina.
A supervisora da escola, Denise Macedo Reis Guilherme, explica que o projeto surgiu do interesse da escola em estimular a leitura dos alunos e aumentar as visitas à biblioteca. O ''Leitura do Autor'' atua durante todo o ano e abrange alunos da pré-escola à 4 série. A cada bimestre é escolhido um autor e definido qual nível escolar vai trabalhar o assunto. Para Denise, o compromisso dos professores é o maior responsável pelo sucesso do projeto.
Esse bimestre foi a vez da 4 série explorar a biografia dos Irmãos Grinn, da Alemanha, e do dinarmaquês Hans Chistian Andersen. Os primeiros são autores de livros como ''Cinderela'', ''Os Três Porquinhos'' e ''A Roupa Nova do Rei''; já Hans Andersen escreveu ''O Patinho Feio'' e ''Pinóquio''. Teatros e oficinas marcaram uma manhã escolar dos alunos. Enquanto os estudantes da 4 série faziam as apresentações e orientavam os trabalhos, as outras turmas participavam assistindo aos teatrinhos e montando porta-lápis, marcadores de página e o boneco Pinóquio.
Em uma das salas, Stefani Ferreira Cardoso, de 10 anos, iniciava a peça ''Os Três Porquinhos'' com a apresentação geral seguida do tradicional ''Era uma vez...''. A estória era bem entoada pela estreante na função, que dava a devida interpretação a cada cena enquanto outros alunos viviam seu dia de ator nos papéis dos porquinhos e do lobo mau.
''Foi bem legal. A gente estudou a biografia dos Irmãos Grinn e ensaiamos. Deu para aprender que a gente tem que trabalhar com esforço e não querer terminar tudo rápido para ir brincar'', aponta Stefani em referência à estória dos porquinhos. Ela conta também que toda semana os alunos lêem o jornal que chega à escola pelo ''Folha Cidadania''. ''A gente pega a notícia que mais gostou, lê na frente da sala e depois discute'', descreve.
Francisco Carlos Mantovani Brene Júnior, 10 anos, foi um dos porquinhos no teatro e não hesitou em falar da experiência. ''Gostei de correr do lobo mau''. Fã de gibis, Francisco também já aprendeu a desenvolver o gosto pela leitura e diz que entre os livros preferidos está ''Um inimigo em cada esquina''. ''Conta a estória de uns moleques que tiveram que morar na rua porque eles eram pobrezinhos e no fim eles comemoram o Natal com outro amigo'', detalha Francisco.
E não são só as estórias que chamam a atenção dos meninos. Juan Carlos Fernandes, 10 anos, diz que uma das coisas que mais chamaram a sua atenção foi a vida de Hans Chistian Andersen. ''Ele teve uma infância muito pobre e ficou órfão aos 11 anos'', informa. Juan também gosta de ler jornais e conta que seu pai sempre leva um exemplar a noite quanto volta do trabalho. ''Gosto da Folha 2 que fala de teatro, dança e filmes'', revela.
A supervisora Denise destaca que os alunos se interessam bastante pela Folha 2 e a escola uniu esse interesse ao projeto ''Leitura do Autor''. ''É uma forma deles conhecerem os autores locais'', afirma. E Rafael João Carneiro, 10 anos, também comprova o interesse dos alunos pelo jornal. A sala dele trabalhou a estória do Pinóquio e também a biografia dos autores. ''A moral da estória diz que não vale a pena mentir'', lembra. Mas ele confessa que às vezes acaba recorrendo à mentira. ''Tem vez que eu tenho que mentir por necessidade, quando é um assunto que não pode falar, mas dizer que eu amo alguém que eu não amo, isso eu não faço'', defende-se.
Outra peça apresentada pelos alunos foi ''A Roupa Nova do Rei''. Bruna Fernanda Remon Dine, 10 anos, detalha que a estória é sobre um rei muito vaidoso que é enganado pelo estilista. ''Ensina que a gente não pode ser tão vaidoso porque não leva a lugar nenhum'', resume. Bruna comprova a unanimidade na preferência dos alunos entre os cadernos da Folha. ''Gosto da Folha 2 porque mostra a cultura da nossa cidade e também da parte que fala de cinema'', aponta.
E entre livros e estórias os alunos vão se desinibindo além de enriquecer a cultura e o vocabulário.

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