PROJETO - Cinema alternativo pode voltar à cidade
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quinta-feira, 17 de junho de 2004
Jackeline Seglin<br>Reportagem Local 
O movimento nas salas de cinema em Londrina é cada vez maior. Muitas filas e sessões lotadas, com ingressos esgotados horas antes da exibição. Sinal de que o público tem corrido para acompanhar todo tipo de lançamento. Mas há um bom tempo a cidade é carente de um espaço voltado a uma programação mais alternativa de cinema.
Preocupado em criar um espaço para esse segmento diferenciado de público, um grupo de cinéfilos está buscando patrocínio para a complementação de recursos necessários para a adequação de uma nova sala de exibição, que seria instalada nas dependências da Casa de Cultura da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O projeto já conta com uma verba de R$ 250 mil.
O diretor da Casa de Cultura, Kennedy Piau, explica que na semana passada a Universidade recebeu R$ 200 mil do Fundo Nacional de Cultura/Ministério da Cultura, resultado de uma emenda apresentada pelo deputado federal Florisvaldo Fier, o Dr. Rosinha (PT-PR), e que serão utilizados na aquisição de equipamentos. A UEL também entrou com uma contrapartida de R$ 50 mil. Estão previstas a compra de aparelhos de DVD e multimídia, lentes e tela, além da restauração e adaptação dos projetores do Ouro Verde, afirma. A Casa de Cultura também poderá utilizar parte das antigas poltronas do cine-teatro, que foram trocadas em 2002. A sala disponível para abrigar o cinema tem capacidade para até 120 pessoas.
No entanto, ainda faltam recursos para complementar a reforma do espaço e compra de equipamentos. Precisamos de cerca de R$ 100 mil para a aquisição de equipamento de som, reforma do telhado, isolamento acústico e instalação de ar condicionado, salienta Piau.
Mesmo antes do Cine-Teatro Ouro Verde deixar de ter uma sala de exibição, era complicado manter uma agenda de filmes fora do circuito comercial de cinema. Segundo o diretor, desde que o Ouro Verde foi adquirido pela UEL, em 1978, e tornou-se polivalente (com atividades de música, teatro, cinema e outros), o processo inconstante de exibição de filmes já trazia problemas. Isso se agravou com a reforma que praticamente inviabilizou o processo de exibição, relata. Essa reforma fez parte do projeto Velho Cinema Novo, do governo Jaime Lerner. Depois dela, o Ouro Verde deixou de ser cinema.
Responsável pela programação do Ouro Verde durante anos, o chefe da Divisão de Cinema e Vídeo da Casa de Cultura e crítico de cinema Carlos Eduardo Lourenço Jorge acredita que Londrina tem muito espectador interessado no segmento alternativo (universitários, classe artística, profissionais liberais que se deslocam até outras cidades atrás de uma programação diferenciada), além de um público a ser formado. Esse será também um trabalho de resgate da área de cinema, que ficou perdida por muitos anos, comenta.
A idéia é criar uma agenda fixa de exibição e trazer vários tipos de filmes para a cidade clássicos, de arte, nacionais e até lançamentos , realizar ciclos, retrospectivas e homenagens. Queremos constituir uma dinâmica cinematográfica em Londrina, ressalta Lourenço Jorge, mencionando ainda as pessoas que fazem cinema e estão mostrando trabalho na cidade.
Outro parceiro nessa empreitada é a Mostra Londrina de Cinema, que este ano reuniu um público de aproximadamente mil pessoas em quatro dias de sessão nos Cines Catuaí. Tivemos uma idéia de quanta gente se interessa por esse segmento, relata Grota, um dos organizadores da mostra.
A expectativa é conseguir novos parceiros dispostos a investir na idéia. Interessados podem entrar em contato pelos telefones (43) 9996-3113 (Piau) ou 3322-6381 (Carlos Eduardo).


