Proibido para menores
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de julho de 1998
Alessandra Blanco Agência Folha 
Videoclipes podem ser prejudiciais para menores de 21 anos. Uma pesquisa realizada por pediatras da Harvard Medical School e do Childrens Hospital, ambos em Boston (EUA), demonstrou que 14,7% dos videoclipes exibidos na TV contêm cenas de violência.
Segundo os médicos, grande parte dessas cenas colocam mulheres brancas como vítimas ou homens negros como agressores. Os pesquisadores analisaram 518 vídeos exibidos nos horários em que adolescentes são os principais telespectadores. Nos 76 vídeos considerados violentos, foram identificadas 462 cenas de violência, ou seja, um média de 6,1 por vídeo. Nas cenas em que o sexo pôde ser identificado, 78,1% dos agressores eram homens e 46,3% das vítimas eram mulheres. Quanto à raça, entre os brancos, os homens eram agressores em 72% dos casos, e as mulheres eram vítimas em 78,3%. Já entre os negros, 91,3% dos agressores e 96,8% das vítimas eram homens.
Nas 374 cenas de violência em que a raça pôde ser determinada, 25% dos agressores eram negros, enquanto 59% das vítimas eram brancos. Isso não significa, no entanto, que homens negros são mostrados como agressores de mulheres brancas.
A violência é, na maioria dos casos, entre os próprios negros ou entre os brancos. A questão é que os homens negros estão superestimados como agressores. Apesar de representarem apenas 12% da população dos EUA, são 25% dos agressores nos videoclipes. Assim como as mulheres brancas são superestimadas como vítimas, disse o pediatra Robert DuRant, um dos coordenadores da pesquisa.
Partindo da informação de que, em média, os adolescentes assistem a videoclipes de seis a sete horas por dia, a idéia da pesquisa era descobrir a que tipo de conflitos e relacionamentos eles estariam expostos. Os resultados passaram a preocupar os especialistas quanto a uma possível acentuação da violência contra a mulher ou do preconceito contra negros, influenciada pelas imagens vendidas por ídolos do rock e do rap. Esses vídeos não são feitos apenas para vender discos, eles vendem idéias também, disse o pediatra Michael Rich, outro coordenador do estudo. De acordo com Rich, o problema não é apenas exibir a violência, mas sim a forma como ela é mostrada. Ele cita como exemplo o Japão, onde haveria uma alta taxa de violência na TV, só que relacionada aos maus elementos. Enquanto isso, nos videoclipes americanos, a violência está relacionada a heróis, a astros da música e é celebrada.


