Refilmagens, com raras exceções, não passam de caça-níqueis. E a nova versão de ''Fama'', que estreia hoje em Londrina (veja a programação de cinema na pág. 2), não foge à regra. A proposta, aqui, é capitalizar em cima da onda musical que tomou conta da cultura pop nos últimos anos. Para isso, nada mais seguro do que revitalizar uma antiga franquia de sucesso.
De ''High School Musical'' a ''Mamma Mia!'', passando por reality shows como ''American Idol'' e ''So You Think You Can Dance'', os números de canto e dança estão em alta entre a garotada - sobretudo as meninas. Mas o mundo mudou, e o tom um tanto sombrio e melancólico do filme original, dirigido por Alan Parker em 1980, teve de ser revisto na releitura comandada pelo estreante Kevin Tancharoen.
O argumento, extremamente simples, foi mantido. Trata dos conflitos de jovens dançarinos, cantores, músicos e atores que se lançam no meio artístico enquanto estudam na prestigiada New York City High School of Performing Arts. A diferença é que, desta vez, os problemas são outros.
Temas como racismo, aborto e homossexualidade, abordados na primeira versão, deixaram de ser tão urgentes para a sociedade americana. E, cá entre nós, não interessam às adolescentes de 13 anos, público alvo do remake. O foco agora é a dificuldade de ingressar no mercado de trabalho. Surgem, então, situações como a da atriz que é arrastada para um ''teste do sofá'', ou do aspirante a cineasta enganado por um falso produtor de cinema.
Nesse sentido, o novo ''Fama'' cumpre seu objetivo, que é dialogar com as fãs mais crescidinhas de ''High School Musical''. Os adultos, no entanto, ficam na mão. O que não acontecia no filme de 1980, conduzido de forma brilhante por Alan Parker, que na época já tinha dois trabalhos consistentes no currículo (''O Expresso da Meia-noite'' e ''Bugsy Malone'').
O mesmo não se pode dizer sobre o ex-dançarino Tancharoen, cujo trajetória inclui a direção de especiais de tevê de Britney Spears e Pussycat Dolls. Essa informação, por si só, explica porque o novo ''Fama'' parece um videoclipe de uma hora e meia. Não que isso seja, necessariamente, um defeito. O problema é que as canções e coreografias são insossas, esquecíveis.
Resta o bom elenco, encabeçado por rostos conhecidos da tevê (Megan Mullally, de ''Will and Grace'', e Kelsey Grammer, de ''Frasier'') e uma turma de jovens talentosos que logo vão despontar no cenário. Mas é muito pouco para um remake que prometia mais. Principalmente se o espectador já tiver passado dos 15 anos.

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