A cada estação, a moda reedita um antigo sucesso. Muito mais do que uma questão de estilo, a escolha do item a ser ‘‘ressuscitado’’ é estrategicamente comercial: geralmente trata-se de uma peça ‘‘em baixa’’ no mercado, que depois de desfilar na passarela de grifes badaladas torna-se rentável novamente. Nessa temporada, o eleito foi o macacão. Acompanhando de perto as curvas do corpo, ele volta às vitrines esbanjando modernidade.
‘‘Esse retorno tem a ver com os uniformes, que estão super em alta nas coleções mais recentes’’, observa a estilista da Ellus, Sarita Del Pozzo. Antes de tornar-se tendência de moda nos anos 60, o macacão era usado por trabalhadores braçais e virou uniforme obrigatório em fábricas de munição durante a Segunda Guerra Mundial. Resgatando esse sentido ‘‘work-wear’’, Sarita fez um modelo em jeans escuro, de modelagem reta e com passadores na cintura. ‘‘Como ele é um pouco mais largo, não marca demais o corpo, disfarçando pernas muito finas e também gordurinhas extras’’, garante.
Mas nem todos os modelos disponíveis no mercado têm essa vantagem. Silhueta seca e longilínea evidenciada por tecidos com lycra são a regra geral. Ficam estritamente proibidos, portanto, quadris largos e pernas curtas. ‘‘O macacão é realmente uma peça limitante, feita só para determinados tipos de mulheres’’, avisa a estilista da Yes Brasil, Marta Ciribelli, que criou vários modelos para a coleção de verão da grife. Alguns lembram os pallazo-pijamas dos anos 60: abotoados como uma camisa, justos até os quadris e amplos nas pernas. Outros são uma imitação dos maiôs dos anos 50, com decotes pronunciados e bojos marcados.
A Zoomp também optou por modelos que acentuam as formas femininas. ‘‘Até o meio das coxas eles são justos, depois vão ficando mais soltos. A barra da calça é levemente aberta’’, explica a coordenadora de estilo da marca, Luciana Amarante. Segundo ela, o macacão não é indicado a todos os tipos físicos mas, com alguns truques, pode disfarçar pequenas imperfeições. ‘‘Para quem tem quadris largos, uma túnica aberta ou um paletó resolvem o problema’’, ensina.
Restrições à parte, os fiéis defensores do macacão enumeram razões suficientes para mantê-lo nas vitrines por mais algumas estações. ‘‘É um look composto com uma peça só; mais prático, impossível’’, ressalta Anna Kauffman, assessora de estilo e esposa de Jorge Kauffman, dono da grife que leva o seu nome. Inspirados no visual ‘‘Disco’’ do final dos anos 70, os modelos foram confeccionados em malha de paetê, lurex e malha com jacquard zigue-zague à la Missoni (grife italiana que popularizou esse grafismo). A modelagem é super justa, os decotes evidenciam as costas e as calças terminam em boca-de-sino. ‘‘Na versão noite, o macacão substitui muito bem o vestido longo’’, sugere Anna.

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