No fim de junho, dez pessoas foram presas nos Estados Unidos sob a acusação de espionagem. Entre elas a russa Anna Chapman, que se tornou uma celebridade instantânea graças à sua falta de discrição (ela usava e abusava de redes sociais como o Facebook). Coincidentemente, o novo filme de Angelina Jolie, ''Salt'', trata justamente desse tema - a suspeita de que a Guerra Fria ainda não terminou.
No longa que estreia hoje, Jolie é Evelyn Salt, uma superespiã da CIA recém-resgatada de uma prisão na Coreia do Norte. Ela seria deixada por lá pelos colegas da agência se não fosse a intervenção de seu marido, que ameaçou fazer uma campanha internacional para libertá-la. Detalhe: ele acreditava ser casado com a executiva de uma grande companhia.
De volta aos EUA, Evelyn revela sua verdadeira identidade para o companheiro e passa a atuar num setor mais burocrático da CIA. Até que um desertor russo, capturado pela agência, a acusa de ser uma espiã a serviço de Moscou. Ela foge e dá início a uma verdadeira caçada humana, com americanos e russos em seu encalço.
Mas, ao contrário de Anna Chapman, a personagem não tem nada de atrapalhada. É, sim, uma máquina programada para matar, com habilidades dignas de um McGyver, ou de um Jason Bourne. Aliás, ''Salt'' parece uma versão feminina de ''A Identidade Bourne'' e suas sequências. A diferença está, sobretudo, no exagero, pois a agente da vez é quase uma super-heroína indestrutível.
Aqui vale um parêntese. Antes de ser oferecido a Jolie, o papel principal foi concebido para ser de um homem. Tom Cruise era o preferido dos produtores, porém recusou o trabalho por achar parecido com ''Missão Impossível''. Acabou fazendo ''Encontro Explosivo'', que puxa mais para a comédia e também estreou há pouco no Brasil.
Quem não ''comprar'' a história de ''Salt'' vai se irritar com o excesso de sequências inverossímeis dirigidas pelo australiano Phillip Noyce (um especialista em thrillers de espionagem e espionagem como ''Jogos Patrióticos'' e ''O Colecionador de Ossos''). O mesmo vale para o grande número de pistas falsas lançadas ao longo do filme para confundir o espectador. Já os fãs de tramas cabulosas não terão do que reclamar - e sairão do cinema esperando pela provável continuação sinalizada no final.

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