Programação sofre cortes com orçamento reduzido
O orçamento original do Filo 2000, de U$ 2,4 milhões, foi reduzido para R$ 1,3 milhão. O evento conseguiu captar até agora cerca de R$ 250 mil através de cinco projetos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura (entre os patrocinadores estão Banestado, Banco do Brasil, Caixa, Marajó Veículos e Colégio Maxi) e R$ 350 mil (da Tim, BCN e Copel), via Lei Rouanet. Restam ainda R$ 100 mil referentes a dois projetos apresentados ao Fundo Nacional de Cultura, uma emenda apresentada pelo deputado federal Luiz Carlos Hauly no Congresso Nacional (R$ 40 mil), além de R$ 200 mil do Governo do Estado e R$ 150 mil da Sercomtel.
O Filo também fechou parcerias com órgãos de outros países, como o Conselho Britânico, o Ministério da Cultura espanhol e a Rede de Promotores Culturais da América Latina e do Caribe, para viabilizar a viagem dos grupos.
A dificuldade de conseguir recursos para atividades culturais não é novidade para nenhum segmento da área, muito menos para o Filo, que todo ano enfrenta problemas e atrasos na liberação de verba. O fato é que este ano as coisas parecem estar mais complicadas.
Questionada se sua candidatura a deputada estadual pelo PSDB na última eleição e suas ligações políticas poderiam ter prejudicado as negociações para a obtenção de recursos, Nitis Jacon é incisiva: Minha postura política é minha postura de esquerda, que eu sempre tive, em toda minha vida. Mais do que isso, acredito que meu trabalho frente ao festival tem um caráter subversivo na visão dos políticos.
Para a diretora do festival, não há interesse político em realizar na periferia de Londrina trabalhos que conscientizam e abrem espaço para questionamentos da população. Trabalhos que vão além de um pacote de arroz no final do mês, de cinco reais para tomar uns copos de pinga... na hora em que eles (políticos) precisam de voto, sempre liberam algum dinheiro.
Nitis Jacon vai além em suas críticas às autoridades. Para ela, projetos como os realizados no mês de maio não interessam aos políticos. Nossa cultura política sobrevive do assistencialismo, do nepotismo e dos privilégios que só os poderosos podem distribuir, salienta. Com o Filo, mostramos que é possível fazer uma política cultural; que isso é mais que jogar dois pacotes de balas para crianças. É esse caráter do Filo que amedronta, finaliza. (J.S.)





