Programação do Canal Paraná será suspensa
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sábado, 11 de janeiro de 2003
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Curitiba As decisões de um novo governo são sempre recebidas com surpresas. Mas nenhuma causou tanto alvoroço até o momento quanto a possibilidade do fechamento do Canal Paraná, ex TV-Educativa. A nova diretora geral da instituição, Berenice Mendes, anunciada anteontem, apressa-se em desmentir o boato. Ela explica que a emissora vai ter a sua programação local interrompida e nova equipe será formada (os jornalistas e funcionários atuais já foram dispensados). Durante esse período, o Canal Paraná deve retransmitir a programação nacional da TV Cultura.
A situação deve permanecer durante um mês, tempo recorde em que a nova direção pretende substituir a grade de programação e montar nova equipe. Por enquanto, foram anunciados apenas os nomes da cineasta Berenice Mendes; da jornalista Fernanda Rocha, que vai assumir a coordenação de jornalismo da televisão; da cineasta Lu Rufalco, na direção artística da TV e o radialista Paulo Chaves, que coordenou a campanha de rádio na campanha do governador Roberto Requião (PMDB), para a direção da Rádio Educativa, que também deve sofrer reformas.
O clima por enquanto é de confusão. De um lado os funcionários dispensados (cerca de 90, segundo fontes da Folha) receberam com surpresa a notícia de que a programação seria interrompida. Contam que foram avisados apenas para retirarem os seus pertences das dependências da TV, que hoje funciona no Canal da Música, no bairro Mercês. Eles ainda questionam se vão receber os dias de janeiro trabalhados, já que ninguém foi informado sobre a questão. Berenice Mendes ameniza: ''Ninguém foi demitido, eles foram desligados do cargo porque trabalhavam mediante cachê e não eram concursados'', explicou informando que cerca de ''dez pessoas'' estavam nessa situação.
Para ela, é natural que pessoas sejam desligadas do cargo nesse início de governo. ''Não teria sentido manter a mesma equipe'', diz. A intenção é transformar a intituição em um '''elemento estratégico para auxiliar no processo de integração do Estado'', conforme adianta Berenice. Para alcançar as metas, a nova direção terá vários desafios pela frente. Um deles é quitar a dívida herdada do governo Jaime Lerner com a Embratel de cerca de R$ 500 mil e resgatar a retrasmissão da programação local para as outras emissoras estaduais.
Desde setembro do ano passado, o Canal Paraná, que funcionou pouco mais de um ano nos moldes do projeto inicial, deixou de ter a sua programação retransmitida para as cerca de 20 emissoras estaduais e estava restrita a Curitiba e região metropolitana. O corte da transmissão aconteceu por falta de pagamento, conforme explicou a Embratel em nota oficial divulgada na época. ''Pagar essa dívida não será problema, agora temos que garantir a qualidade da programação'', salienta Berenice.
Ela adianta que a emissora vai dar prioridade para o jornalismo. O jornal local, que antes tinha 15 minutos deve ganhar um espaço maior no ar e ser gravado ao vivo. ''Vamos fazer um jornalismo mais participativo'', promete.
A nova direção também deve contornar outro problema: a reforma do Canal da Música, onde a TV está instalada. Orçada em cerca de R$ 2 milhões, a reforma que começou o ano passado não foi concluída no final do governo Lerner, como o prometido. ''Estamos terminando as reformas, mas a obra tem problemas técnicos e estruturais'', avalia Berenice exemplificando com os próprios estúdios, impróprios para a televisão. ''Pedimos uma vistoria do Decon (Departamento de Construção da Secretaria de Obras do Estado) para avaliar a situação. Por enquanto, estamos debruçados sobre papéis'', conclui.


