'PROGRAMA RUMOS' VAI PATROCINAR DOCUMENTÁRIOS
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quinta-feira, 28 de dezembro de 2000
Francelino França De Londrina 
Empreendedores culturais da área de Cinema e Vídeo que estão batendo de porta em porta atrás de patrocínio para realizar suas produções, preparem seus projetos para 2.001. O Programa Rumos do Itaú Cultural que contempla os setores de artes visuais, cinema e vídeo, dança, literatura, música e novas mídias está com inscrições abertas para patrocínio de projetos inéditos na área de Cinema e Vídeo documental.
O Programa Rumos se pauta na tríade formação, difusão e fomento da arte no Brasil, realizando um mapeamento da produção artística em âmbito nacional. Esse é o único programa de apoio exclusivo a documentários, organizado por uma instituição cultural, priorizando projetos investigativos e de criação.
Em três anos de implantação o Projeto Rumos mobilizou seis mil pessoas, entre artistas, produtores, técnicos, curadores, pesquisadores e agentes culturais. Nesse rastreamento pelos talentos brasileiros, inseriu-se no cenário nacional artistas iniciantes e outros de atuação geográfica restrita, que ganharam visibilidade. Dois jovens cineastas apresentaram trabalhos com repercussão nesse ano. Rodrigo Lorenzetti dirigiu Cemitério de Elefantes e Carla Gallo com Tom Zé ou Quem Vai Detonar uma Dinamite na Cabeça do Século? .
Dentre os longas já contemplados pelo Projeto Rumos, Santo Forte, de Eduardo Coutinho, foi o que obteve melhor projeção, conquistando prêmios no ano passado no Festival de Brasília, Festival de Gramado e no 5º É Tudo Verdade Festival Internacional de Documentário, nesse ano. Além disso, a Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil elegeram em 1999 Santo Forte como melhor filme documental. Barra 68, de Vladimir de Carvalho também foi contemplado no Festival de Brasília deste ano.
O Paraná ainda tem uma participação muito acanhada no Projeto. Apenas 10 artistas das áreas de música, dança e visuais foram selecionados até hoje. Na área de cinema e vídeo, o Paraná não se caracteriza pela produção de documentários. Isso também inclui todos os estados do sul, que escolheram como gênero favorito de expressão audiovisual a ficção. Poucos trabalhos paranaenses na área documental ganharam expressão.
A coordenadora do programa Daniela Capelato avalia para a Folha 2 a produção diminuta do sul no quesito documentários inserida num contexto histórico. Os documentários no Brasil estão mais ligados ao Norte e Nordeste em função dos temas e por estarem ligados ao Cinema Novo e aos Centros de Cultura Popular da década de 60. Daniela Capelato informa que esse gênero cresce mundialmente. A demanda emergente acontece graças ao surgimento dos canais de TV a cabo. Muitos dos projetos contemplados pelo Rumos trazem filmes com novas estruturas narrativas, fugindo dos padrões mais rígidos de TV, afirma Daniela.
Os interessados em inscrever projetos no Rumos Itaú Cultural Cinema e Vídeo podem fazer inscrições on line até 14 de abril de 2.001. (www.itaucultural.org.br) e enviar posteriormente a documentação complementar para Av. Paulista, 149. Núcleo de Cinema e Vídeo. CEP 01311-000 São Paulo - SP. Serão contemplados projetos de documentários com temas relacionados a arte e cultura brasileiras. Não serão aceitas obras de ficção.
As propostas podem ser inscritas em três modalidades: desenvolvimento de projetos (apoio para formatação de projetos de até R$ 15 mil, incluindo pesquisa de conteúdo, roteiro, orçamento e cronograma de produção); produção (apoio para realização de vídeos ou filmes documentários de curta, média e longas, no valor de até R$ 100 mil) e jovens realizadores (com até 25 anos, com projetos de até R$ 8 mil). Mais detalhes, como também o edital e inscrição dos projetos, podem ser obtidos no site da instituição.


