Programa quer impulsionar o turismo interno
Lúcio Flávio Moura
Enviado a São Paulo
A partir do segundo semestre do próximo ano, o turismo doméstico no Brasil deve entrar na era do marketing do varejo. Lançado oficialmente semana passada em São Paulo, o Viaja Brasil programa desenvolvido pela o escritório paulista da Agência Brasileira de Agentes de Viagens (Abav), com apoio da Abav Nacional, do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur) e da TAM Linhas Aéreas quer incorporar, em sua primeira fase, mais 200 municípios ao catálogos de ofertas das 6 mil agências de viagens do País, que hoje comercializa apenas 50 destinos.
O programa traça diretrizes para o desenvolvimento do turismo interno com base em um marketing mais agressivo, abandonando a postura passiva das operadoras e agências na comercialização dos pacotes. Este programa é um marco, um divisor de águas que deve revolucionar o turismo brasileiro, disse Caio Luiz de Carvalho, presidente da Embratur, na solenidade de lançamento no auditório do Parlatino, que faz parte do complexo do Memorial da América Latina.
A idéia é agregar ao mercado a demanda reprimida de consumidores, priorizando viagens mais curtas com custos menores, além de passar o papel da divulgação do setor quase inteiramente à iniciativa privada.
Estas metas, já contidas no Programa Nacional de Municipalização do Turismo (PMNT) lançado pela Embratur há cinco anos , foram traçados a partir de estudos e pesquisas da H&D Assessoria, Planejamento e Marketing, de São Paulo, junto ao trade e às secretarias municipais e estaduais de turismo.
A primeira fase, que deve ser esgotada até o final do primeiro semestre do próximo ano, será a da elaboração de um cadastro com empresas e órgãos interessados nos benefícios do Viaja Brasil. Também nesta fase preliminar deverão ser assinados convênios e parcerias que viabilizem logística e financeiramente a implementação do programa.
As principais inovações para ampliar as vendas e mudar o perfil e a escala do consumo estão ancorados em novas formas de comercialização dos pacotes turísticos. Eles serão vendidos em quiosques instalados em hipermercados, shopping centers e lojas de conveniências. Serão adotados também sistema de telemarketing, de venda postal, venda na internet e venda porta a porta.
Apostando na massificação das vendas, as operadoras e agências também deverão apostar nos pacotes acessíveis, de custo em torno de R$ 100,00. Com o modelo atual, cujo custo é muito alto, as vendas são restritas e a margem de lucro é de apenas 10%, era impossível negociar pacotes destes preços. Isto vai mudar, prevê Hermantino Dias, que comandou a pesquisa da H&D Assessoria, empresa que preside.
Os destinos que aderirem ao programa terão vinculação gratuita em um catálogo de periodicidade trimestral que estarão à disposição nestes novos pontos, em encartes que circularão nos jornais. O conteúdo dos encartes também estarão em anúncios em rádio e TV.
Desde setembro, uma experiência-piloto do programa foi implementada com sucesso em Caldas Novas, cidade goiana considerada a principal estância hidrotermal do País.
Segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da Universidade de São Paulo, a estimativa é que no ano 2000 o turismo doméstico deverá manter a tendência de crescimento, obtida após a desvalorização do real em 1997. A Fipe estima em 44 milhões de viajantes para o próximo ano contra 38 milhões projetados.
O jornalista viajou a convite da TAMCom vendas de porta a porta e em locais de grande movimentação, a intenção é divulgar 200 municípios como destinos turísticos
ReproduçãoCALDAS NOVASDesde setembro, uma experiência piloto do programa foi implementada com sucesso na cidade goiana considerada a principal estância hidrotermal do País





