São Paulo, 22 (AE) - Programa de Integração Cinema e TV (PIC-TV) completa dois anos e meio no ar com motivos de sobra para comemorar. Além de superar as expectativas, o programa está provando que a parceria entre cinema e televisão pode ser bem-sucedida. "Nossa meta inicial era produzir 42 filmes em quatro anos, mas já conseguimos finalizar 37 na metade do tempo", diz Ivan Isola, coordenador do programa.
Para comemorar essa marca, a TV Cultura vai exibir "Ação entre Amigos", no domingo, às 23 horas. O filme de Beto Brant é mais um dos que receberam apoio do PIC-TV - dos R$ 1.480 mil gastos, o programa arrecadou R$ 647.300. Fruto da parceria entre a Secretaria de Estado da Cultura e a Fundação Padre Anchieta, responsável pela TV Cultura, o programa já co- produziu vários filmes com boas campanhas no cinemas, como "Boleiros - Era uma Vez o Futebol" e "Coração Iluminado.
O objetivo principal do programa não é apenas apoiar novas idéias, mas contribuir para consolidar uma indústria cinematográfica no Brasil. "Isso só será possível se produzirmos em grande escala; essa é nossa prioridade", comenta Isola. Ele defende que a produção de grandes lotes de filmes barateia não só a produção como sua venda para cinemas e emissoras de TV. "As maiores produtoras do mundo já trabalham assim", diz. E cita a Warner como exemplo: "Os canais compram grandes lotes só para poder ter um Sexto Sentido."
Apesar do sucesso do PIC-TV, a infra-estrutura do cinema brasileiro ainda precisa ser reformulada. Para Isola, a distribuição não é mais o grande problema. "A produção de conteúdos é muito importante porque não adianta ter como distribuir, mas não ter o que distribuir", reflete.
Restabelecer a cumplicidade entre público e cinema é outra preocupação. Para fazer com que o "conjunto funcione", será preciso unir o apoio público ao privado. "Isso já vem sendo feito no PIC-TV; a secretaria repassa os recursos, a Fundação administra e reparte a verba entre os filmes aprovados e a iniciativa privada entra com a parte que resta", explica. Como resultado dessa parceria, já foram arrecadados e investidos cerca de R$ 26 milhões. Agora, que a primeira etapa está chegando ao fim, Isola quer consquistar novos parceiros. "Isso deve ocorrer ainda neste semestre; não podemos perder o pique", diz.
Isola aproveita para contestar as críticas negativas à união entre TV e cinema. "O cinema não vai acabar ", diz. "Ninguém vai exibir filmes na TV antes de irem ao cinema porque é de interesse da emissora, como sócia, que o filme faça sucesso", continua. "A Cultura, por exemplo, já exibiu vários longas produzidos pelo PIC-TV, mas só depois de terem passado por todos os outros meios, como cinema, vídeo e cabo", explica. Em troca, o cinema pode aproveitar-se da experiência da TV. "Tenho certeza de que a convergência de mídias é o futuro", diz. "Essa união já é praticada na Europa há tempos; o cinema francês só sobrevive por causa de parcerias como esta."
A opinião de Isola é compartilhada pelo diretor Beto Brant. "A ajuda da TV Cultura foi fundamental para a realização do meu filme", diz. "O mais importante é que ninguém interferiu no conteúdo; houve muita confiança."
Além do orçamento para produção, outra tática da TV Cultura para ajudar na campanha do filme é o marketing. "A cada filme lançado, investimos cerca de R$ 100 mil em propaganda e eventos", conta o coordenador. Mais uma vez, Brant concorda. "Além do know-how, o cinema pode utilizar o espaço da TV; eu jamais teria dinheiro para comprar um comercial, mas tive meu filme anunciado."
Nova Vera Cruz - Para a tarefa de revitalizar a indústria cinematográfica brasileira, o PIC-TV deve ganhar em breve o reforço de outro projeto ousado, a Nova Vera Cruz. Abrigado nos estúdios da antiga Vera Cruz, em São Bernardo do Campo, o projeto é um convênio firmado em 1996 entre a Secretaria de Estado da Cultura, a Fundação Padre Anchieta e a Prefeitura de São Bernardo do Campo. O objetivo inicial é resgatar a memória da Companhia Cinematográfica Vera Cruz por meio da aquisição e recuperação do acervo de filmes e iconográfico, e da realização de pesquisas e de filmes que reconstruam sua história.
A segunda e principal etapa é retomar a proposta original da antiga Vera Cruz: fazer cinema em escala industrial, criando o mais moderno complexo cinematográfico do País. Para isso, Isola, que também coordena esse projeto, vai contar com as novas tecnologias. "Cada vez mais as mídias estão convergindo; vamos operar com tudo digital; daqui a um tempo os filmes serão distribuídos via satélite", planeja. Mas garante que nunca abrirá mão da película. "Mas para a pós-produção, vamos digitalizar tudo", completa.
Para tornar o projeto realidade serão necessários R$ 40 milhões - R$ 20 milhões para reformar os estúdios e mais R$ 20 milhões para comprar os equipamentos. "Depois disso, vamos captar recursos para os filmes; mas com isso já dá para começar a produzir", diz. "Isso já deve ocorrer em 2001- já estamos acertando com novos parceiros privados, mas não posso revelá-los ainda."

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