PROGRAMA DE FÉRIAS - Viagem ao mundo dos livros
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de janeiro de 2008
Raquel de Carvalho<br> Reportagem Local 
Fazer uma viagem sempre possibilita conhecer lugares aprazíveis ou interessantes, vivenciar novas experiências, conhecer pessoas, alimentos e costumes. Um passeio ou aventura exigem tempo, deslocamento e dinheiro, nem sempre disponíveis. Algumas pessoas, porém, resolvem com facilidade eventuais obstáculos e mergulham num outro mundo, sem sair de casa. É possível chegar a lugares longíquos percorrendo as páginas de um livro.
Leitora contumaz, Vanessa Guimarães Alves de Almeida, afirma que a imaginação não tem limites e que faz viagens fantásticas através de obras de ficção. A filha dela, Maria Raphaelly, de 9 anos, declara que sente na pele os perigos e emoções das personagens das histórias livros. O funcionário público Marcos Alexandre Farias consegue ultrapassar os limites do mundo real lendo um livro no ônibus, no banco de uma praça ou em casa.
A leitura faz parte da rotina da família Almeida e é ponto de união entre pais e filhos. Invariavelmente, nas manhãs de sábado, Vanessa e Gelson, de 29 e 33 anos, pegam os 4 filhos, com idades entre 9 e um ano de idade, e vão à Biblioteca Pública de Londrina. Após percorrer as dezenas de estantes, Vanessa, Gelson, Maria Raphaelly, João Gabriel, Antônio Miguel e Ana Clara saem com livros que vão ler na semana seguinte.
João Gabriel, de 8 anos, consegue dividir o seu tempo para dar conta de diversas tarefas. Joga videogame, brinca, faz tarefas da escola. Mas a leitura de livros de aventura e ação é sua atividade preferida. Na última semana, antes mesmo do prazo de empréstimo expirar (depois de uma prorrogação), ele já tinha lido as 230 páginas do livro ''Viagem ao centro da terra'', de Júlio Verne. E trazia debaixo do braço ''Contos e fábulas universais'', que pretendia terminar logo.
Da mesma forma, Maria Rapahelly, de 9 anos, aproveita bem o seu tempo para ler histórias de aventura, mistério e romance. E tem na ponta da língua a justificativa para essa dedicação. ''É importante ler, os livros são interessantes e ajudam a gente a aprender outras coisas'', diz, ao que João Gabriel concorda prontamente. Ultimamente Raphaelly usa parte do tempo para as aventuras de Harry Potter.
A menina aguarda ansiosamente a chegada da sua vez para o empréstimo da aventura do bruxinho inglês, ''Harry Potter e o enigma do príncipe''. De novo insistiu com a atendente da biblioteca, que pacientemente lembrou que ainda tinha um leitor na sua frente.
Os dois filhos menores do casal seguem a mesma trilha e fazem questão de garantir a sua obra para a semana. Antônio Miguel, de 3 anos, nem consegue articular todas as palavras, mas declara com entusiasmo que sua preferência são os livros sobre carros - os hot wheels - e dinossauros. Com apenas 1 ano, Ana Clara olha com curiosidade as figuras e as poucas letras dos livros que folheia, algumas vezes com a ajuda do pai ou da mãe.
O modelo do casal, principalmente da mãe, despertou nas crianças o gosto pela leitura. ''Sempre gostei de ler diversos gêneros. Quando era mais jovem e não podia ir à biblioteca, emprestava de amigos'', diz Vanessa, que considera natural o hábito dos filhos. ''Nunca os obriguei a ler, mas eles sempre nos viram com um livro na mão'', relata. Ela calcula que lê em torno de 50 livros por ano.
Gelson acabou adotando o costume da mulher e se transformou num leitor assíduo há cerca de um ano. Ele encara com prazer a tarefa de levar a família à biblioteca todos os sábados e retira livros sobre contabilidade, sua área de atuação. Mas já tomou gosto também por obras de ficção, principalmente romances.
O incentivo foi determinante para que o funcionário público de Londrina, Marcos Alexandre Farias, de 34 anos, adquirisse o hábito de ler. Ele conta que aos 6 anos ganhou de presente o livro ''O rei Oscar e o pernilongo'', que marcou a sua vida. Mais tarde, o estímulo veio da escola: uma professora lhe deu ''Uma história meio ao contrário''. Ainda da infância Marcos tem na memória as aventuras de dois garotos em férias que passam apuros em ''A ilha perdida''.
Atualmente o funcionário público continua empreendendo viagens nos cerca de cinco livros que lê por mês. Eclético, ele passeia pelos gêneros romance, literatura brasileira e auto-ajuda, como o livro ''As sete leis espirituais do sucesso'', do indiano Deepack Chopra. Ele diz que não tem dificuldade para se aventurar nessas viagens.''Consigo me concentrar em qualquer lugar, no ônibus, em locais públicos ou em casa'', afirma.
Um novo mundo está se abrindo para o atendente de fármacia, William de Fátima, de 20 anos. No ano passado, mudou-se do distrito de São Luiz, na zona sul, para um bairro de Londrina, depois de concluir o ensino médio. Ele conta que na escola tinha acesso a poucas obras e não se interessava pelos clássicos disponíveis na biblioteca.
Agora, William se dedica à leitura todos os dias. Ele gosta de aproveitar o trajeto que faz da sua casa, na zona oeste, até o centro. ''Leio dentro do ônibus ou enquanto espero no terminal'', diz. Seleciona os livros pela utilidade que terão na sua vida ou trabalho e afirma ter gostado muito de ''O homem que matou Getúlio Vargas'', de Jô Soares.


