Homenagear grandes nomes da música sempre foi a proposta do ''Som Brasil''. Mas até o diretor Luiz Gleiser se surpreende ao constatar uma particularidade do programa que será exibido na madrugada do dia 29 para o dia 30 de julho: as obras revisitadas são da artista viva mais jovem que já passou pela lista do musical insone da Globo. Marina Lima, aos 55 anos, é a escolhida, aproveitando a boa fase em sua carreira, diante do lançamento do novo álbum ''Clímax'', em junho passado. ''Embora seja ainda um 'brotinho', Marina é uma grande diva, repleta de músicas antológicas no currículo. E continua com uma contemporaneidade absurda'', exclama Gleiser, enquanto ajusta os últimos detalhes antes da gravação.
Como em todas as outras edições, a gravação do programa é dividida em dois dias, com plateia em ambas as datas. Só Patrícia Pillar fica de fora do primeiro, já que nem todas as transições musicais que acontecem no palco em formato de arena contam com as entradas da apresentadora. Mas, no caso de Marina, curiosamente, é justamente a participação de Patrícia que mais leva tempo para ser feita. ''Hoje eu estou fanha. Não sei o que está acontecendo'', reclama a atriz, pouco antes de receber do diretor alguns lenços de papel. ''Não precisa, só estou com uma coceirinha chata no nariz'', minimiza, dando continuidade à apresentação.
Para quem assiste à gravação, a plateia parece não ter grande importância. Mas é nítida a diferença quando os músicos estão ensaiando com e sem público. ''Artista precisa de aplausos. E não falo só por quem canta, mas também por nós. Somos artistas também. Fazer um trabalho desse porte e não ter quem aproveite aqui não dá. Essas pessoas trazem vida para os números musicais'', analisa Gleiser, completando que existem 172 lugares nas fileiras de cadeiras do estúdio. Mas nem sempre é fácil controlar quem assiste às apresentações. ''Pessoal, não pode disparar o flash da máquina'', adverte o diretor.
O programa conta com a participação de três convidados da nova geração ao lado de Marina. A banda carioca Os Outros é recebida com certa estranheza por parte do público em função de sua sonoridade mais ousada, dando toques modernos a canções como ''Uma Noite e Meia''. Logo em seguida, a voz suave de Letícia Novaes apresenta com elegância a releitura de ''Charme do Mundo'', o que chama a atenção inclusive de Marina. Mas a cantora se derrete mesmo - junto com a apresentadora - pela versão romântica e dançante de ''Eu Te Amo Você'' de Dani Black, cantor e compositor paulistano e filho de Tetê Spíndola - que ficou famosa pela voz aguda em músicas como ''Escrito nas Estrelas''.
''Fico feliz não só por ser homenageada, mas também por ver essas pessoas tão talentosas reinterpretando músicas que eu ainda canto, outras que eu nem canto mais em shows. Acho que não só eu saio revigorada, mas eles também'', valoriza Marina, sempre falando pouco, para poupar a voz para os números musicais.
Para cantar com Marina, Gleiser chama primeiro Sandra de Sá. ''Somos amigas há uns 30 anos, mas há uns 20 que não cantamos juntas. E, curiosamente, foi a música 'Virgem', que repetimos hoje'', explica Sandra, que logo tira Marina para dançar no palco. O visual, como sempre colorido, contrasta com o estilo mais discreto adotado pela homenageada, com direito a óculos azul claro e rosa, combinando com o tom ''pink'' dos cabelos e o sobretudo vermelho.
Em seguida, Gleiser confirma uma presença especial que, até então, seria uma dúvida. Seu Jorge surge, da plateia, para cantar ''Fullgás''. Um número que marca a proximidade do fim dos trabalhos. E serve de deixa para Patrícia Pillar trocar o salto alto por um chinelo de dedo e, mais confortável, curtir o que ainda resta. ''Quem não gostaria de trabalhar em um lugar como esse, aproveitando um som de qualidade com artistas consagrados e grandes apostas das novas gerações?'', indaga, abrindo um sorriso contagiante.
''Som Brasil'' - Globo - Previsto para ser exibido dia 29 de julho, às 2h.

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