Cerca de 700 pessoas devem estar no desfile da Rede da Cidadania no Carnaval 2004 em Londrina. Este ano, o programa municipal levará artistas e participantes das oficinas culturais para o desfile de blocos que acontece no dia 20, no Autódromo Ayrton Senna, com direito a bateria e samba próprios. A novidade foi divulgada ontem, em entrevista coletiva concedida pelo secretário da Cultura, Bernardo Pellegrini, e o coordenador da Rede da Cidadania, Valdir Grandini.
O evento também marca uma antecipação do início das atividades da Rede, que este ano vai ressaltar a produção cultural na cidade, apresentando o resultado ao público em um festival artístico realizado nos meses de agosto e setembro.
No Carnaval, o bloco terá alas que envolverão linguagens que compõem a Rede da Cidadania: capoeira expressiva, iniciação à dança, danças de salão, hip hop, circo, teatro e musicalização percussiva. Vinte instrumentistas formarão a bateria da Rede, que ganhou um samba (''Londrina Menina que Brilha'') criado por Reinaldo Augusto Barbosa, integrante do hip hop.
Pellegrini antecipa que os 70 anos de Londrina serão o mote do desfile. A ala de teatro, por exemplo, vai abordar figuras históricas da cidade; a dança do café será levada para o sambódromo pelas danças de salão. O hip hop vai abordar as novas tecnologias e a turma da iniciação à dança vai coreografar a velocidade do crescimento de Londrina. Sob coordenação de quatro artistas, os próprios participantes é quem vão confeccionar fantasias, alegorias e fazer a decoração do autódromo.
Na preparação do Carnaval, 33 oficinas estarão concentradas em 22 pontos da cidade. Desde o dia 2 de fevereiro, os participantes estão se reunindo duas vezes por semana à noite para os preparativos.
A Rede da Cidadania inicia a programação deste ano em fevereiro na tentativa de dar continuidade às atividades de 2003, quando foram realizadas 93 oficinas em 31 pontos da cidade, atingindo 1800 participantes. No Centro Cultural do Conjunto Maria Cecília, maior ponto da Rede, mais de 400 pessoas participam das oficinas de iniciação à dança, dança de salão, hip hop, percussão e capoeira expressiva.
Este ano, a expectativa é que entre 2000 e 2100 pessoas participem do programa. Também serão disponibilizadas nos pontos oficinas de artes plásticas, vídeo, artesanato, música, fotografia e criação literária.
Entre as novidades para 2004 na área de artes plásticas, o projeto Corredor da Pintura será estendido e permanecerá dois meses em cada região de Londrina. Auxiliados por monitores, os próprios moradores (entre 60 e 100 pessoas de cada comunidade) pintarão suas criações em muros.
Segundo Valdir Grandini, a programação da Rede vai contemplar o último estágio de desenvolvimento do programa, que nos dois primeiros anos trabalhou a implantação de oficinas. Agora, a idéia é desenvolver a produção cultural que envolve todas as linguagens da Rede. ''As oficinas estarão focadas na construção de espetáculos'', ressaltou Pellegrini.
Serão realizadas oficinas de base e oficinas de montagem. As áreas que envolvem maior número de pessoas, como circo, hip hop e capoeira, terão os dois tipos de oficinas. Já teatro, artes visuais, artesanato e literatura entram como núcleos de produção. ''Temos ainda toda uma infra-estrutura física e de eventos que pode estar ligada à Rede o Museu de Arte, a Biblioteca Pública, o Festival de Música, o Filo. Muitos projetos independentes do Promic também estão relacionados à Rede nas contrapartidas'', detalha o secretário.
No Festival da Rede, durante dois meses uma programação de mostras e espetáculos resultados das oficinas de montagens será levada ao público local. ''Com o festival, a Rede estará mobilizada e terá uma produção até o final do ano, quando acontecem as atividades da programação de Natal'', comenta Pellegrini.
Valdir Grandini também antecipa que cada uma das linguagens da Rede da Cidadania terá um núcleo organizador responsável pela montagem e gerenciamento (junto com a coordenação do programa) de um projeto de trabalho. A cidade ganhará núcleos de agentes culturais singulares. ''Havia a necessidade de sistematizar o programa e isso ocorreu no ano passado. Com os agentes singulares, cada grupo vai buscar um processo de auto-gerenciamento. A idéia é que os grupos se autonomizem'', esclarece Grandini.
Dessa forma o processo adquire maior garantia de continuidade. A Secretaria da Cultura quer, ainda, criar centros culturais regionais, a partir do fortalecimento dos pontos da Rede da Cidadania.

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