Profusão de cores na passarela
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quinta-feira, 18 de julho de 2002
Karla Matida<br> Enviada a São Paulo 
O clima esportivo pós-pentacampeonato deve se estender até o verão. Principalmente depois do desfile da Zoomp, que fechou o terceiro dia de desfiles da São Paulo Fashion Week, na quarta-feira. Mas na visão da grife paulista, nada de verde-e-amarelo escancarado. O preto e o branco prevalecem e o jogo escolhido nem é o futebol, e sim o tênis. Os uniformes inspiram a modelagem, mas como é tudo muito chique, as formas são mais justas. A equipe de estilo da grife, encabeçada pelo londrinense Henry Alavez, pensou em férias pela costa francesa.
No primeiro desfile do dia, Walter Rodrigues mostrou que já não está mais tão japonista assim. A coleção Primitive Couture aposta nas diferentes etnias em apenas três cores: areia, marrom e laranja. O corpo é a estrela e por isso as saias e vestidos estão mais curtos e mais sexies. A força nos detalhes é toda metalizada.
Logo em seguida veio Lorenzo Merlino, que estreou na São Paulo Fashion Week bancando o DJ de seu desfile. Tocou suas músicas preferidas enquanto as modelos apresentavam as roupas que remetiam ao sportswear, como o estilista explicou ao final. A presença paranaense na passarela ficou por conta da linha praia, que é produzida pela curitibana Kas/Lagoon.
Assim como as roupas, os maiôs e biquínis também são sempre em tons claros. A parte colorida ficou com a brincadeira do estilista com o vestido-pantone. Quem trabalha com criação de moda sabe que os pantones (cartela de cores internacional) são essenciais.
A inspiração de Mario Queiroz para a coleção apresentada na quarta-feira veio depois de uma visita à uma exposição de Andy Warhol. E se depender do que foi mostrado, a fama do estilista vai muito além dos 15 minutos. E isso prova que a aposta do evento em incentivar a moda masculina tem dado certo. A evolução é nítida. Na passarela de Queiroz, destaque para a camisaria, que chega listrada, floral e até navalhada.
No quarto desfile do dia, a Rosa Chá de Amir Slama deixou a água rolar, literalmente, já que a cenografia incluía uma cachoeira na passarela. Sobraram gritinhos e suspiros quando o modelo Anderson Dornelles, de tanga, passou pela tal água. E o desfile foi todo para emocionar, num ritmo frenético, no melhor estilo, um turbilhão de idéias para mostrar. As modelagens são as mais variadas, do biquinão ao fio dental, que no caso chega em ouro branco e diamantes azuis (!).
E numa volta para o passado, a Triton resgatou o psicodelismo dos anos 60 e 70 na passarela. Overdose de estampas em todas as cores do arco-íris. O 69 está presente em bordados nas jaquetas, calças e, sim, boinas. Bem hippie. Para completar a produção, muitos boás.
Serviço:
Calendário Oficial da Moda Brasileira São Paulo Fashion Week. Até sábado na Fundação Bienal no Parque do Ibirapuera. Transmissão ao vivo a partir das 16 horas pelo canal 605 da Directv.
A jornalista Karla Matida viajou a São Paulo a convite da organização do evento


