Profissão de enganoso glamour
Trabalhando profissionalmente em publicidade há 33 anos, Ney Alves de Souza sabe das fantasias e da realidade do setor, discerne o que é fachada do que é verdadeiro. Ele comenta que ainda hoje está na cabeça das pessoas - especialmente os jovens - que esta é uma profissão feita de glamour, charme, onde o dinheiro jorra a céu aberto.
Essa ilusão é alimentada especialmente pelas notícias envolvendo meia dúzia de bem-aventurados, bajulados pela imprensa. ‘‘Todo mundo acha que pode chegar lá, mas tem muita gente no caminho e poucos realmente chegam’’, considera Alves de Souza.
As estrelas que lá estão galgaram os degraus numa época em que ainda era possível crescer. ‘‘Agora não, o mercado está mais estabilizado. Você não tem muita hierarquia dentro de uma agência, em que pode subir.’’ Os holofotes iluminam apenas os ‘‘da cúpula’’, que geralmente são diretores de criação.
É um grupo exclusivo que deixa uma empresa e vai para outra, mantendo sempre o mesmo cargo. Esse é o balé que ensaiam, mas atrás deles há uma legião de profissionais talentosos, sem a mesma sorte. A maioria sustenta a minoria, porque é preciso o trabalho de uma infinidade de anônimos, como o responsável pelo layout, pela produção, fotolito, veiculação, para que os do topo brilhem.
É uma constatação lógica, que acontece em todas as categorias, sem exceção. O problema é que os estudantes mantêm a expectativa de que a publicidade é feita unicamente de artistas, que respiram criatividade. O universo é bem mais amplo: ‘‘Dentro de uma agência são muitas as funções que dependem de gente boa. A recepcionista, a mulher do cafezinho são figuras importantes, que participam, tornam o ambiente mais agradável.’’(Z.C.L.)

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