PROFESSOR QUER DANÇA NAS ESCOLAS
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de março de 2001
Simone Mattos De Curitiba 
O bailarino e coreógrafo Walmir Secchi, diretor do Centro de Dança Latina (CDL) que leva o seu nome, em Curitiba, tem uma convicção antiga: implantar dança no currículo escolar. Segundo ele, os baixos custos e os grandes benefícios tornam o projeto viável. Ele falou recentemente sobre isso para uma platéia de 1.600 diretores de escolas estaduais, num encontro em Faxinal do Céu (PR), promovido pela Secretaria de Estado da Educação.
Por enquanto não há nada concreto, é apenas uma idéia, afirma Secchi. Ele deixa claro que a secretaria não acenou com nenhuma promessa, mas garante que a receptividade dos diretores foi a melhor possível. Inclusive já foi sugerida a possibilidade de fazermos novas oficinas sobre o assunto, comenta ele.
Durante o encontro, ele fez três explanações com uma hora e meia de duração cada uma, aliadas a shows interativos. Nas apresentações, Secchi fez questão de enfatizar os resultados positivos da dança, que segundo ele são muitos.
Desde a infância, quando as meninas fazem balé e os meninos judô, há um distanciamento entre os sexos, comenta. Esta situação, que mais tarde pode acentuar problemas de convivência entre os sexos, seria resolvido com a inclusão da dança de salão na escola, exemplifica.
As crianças carentes, normalmente vítimas de conflitos familiares, também seriam favorecidas, sentindo-se mais amparadas e seguras na escola através do exercício da dança. Isto aumentaria a auto-estima e a produtividade, garante. Entre outras vantagens há ainda o fato de se trabalhar questões como o respeito, os limites e as habilidades do corpo.
Segundo Secchi, o custo para implantar tal projeto nas escolas paranaenses seria baixo, se comparado a outros esportes. Não precisamos de bolas, redes ou quadras especiais, explica. Tais aulas seriam incluídas nos horários destinados à Educação Física e o único gasto extra seria com a capacitação dos professores. Faríamos um trabalho conjunto com as faculdades e universidades, estruturando cursos específicos para treinar alunos de Dança e Educação Física.
Enquanto sonha com a concretização deste projeto, Secchi comanda o Centro de Dança Latina, que já formou quatro mil novos bailarinos de quatro a 80 anos de idade. A palavra-chave no desenvolvimento destas pessoas é o auto-conhecimento, explica. O CDL presta ainda assessoria em dança de salão para a tradicional escola curitibana Studio D.
Para quem quiser conhecer melhor este trabalho, nas sextas-feiras o CDL promove noites da Dança Latina no Toscana, em Curitiba, com direito a tango, lambada, salsa, mambo, merengue, rumba e outros ritmos latinos.


