Professor organiza dicionário medieval
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quinta-feira, 22 de maio de 2008
Caroline Vicentini<br> Reportagem Local 
Ardido = Corajoso, valente; escasso = mesquinho, avarento; embora = em boa hora, porque; Pã, pane, pan, pam = pão; lagrema = lágrima.
Na Idade Média, quando a Língua Portuguesa ainda estava em seus primórdios, muitas palavras tinham formas e significados diferentes ao uso comum de nossa época. Segundo o professor de Literatura Portuguesa do departamento de Letras Vernáculas e Clássicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Joaquim Carvalho da Silva, há muito material levantado no campo dos textos medievais, mas sem orientação, disperso, de difícil consulta. Visando a facilitar o estudo e compreensão da literatura medieva, Silva organizou o ''Dicionário da Língua Portuguesa Medieval'', atingindo até os meados do século XVI. Com cerca de 17 mil verbetes, a obra é considerada de grande valia para pessoas ligadas ao estudo da História, da Filologia, da Literatura, da Música e por diletantes. Com sólida formação clássica, e desde jovem estudioso do latim, grego e das línguas neolatinas, o professor esteve por doze anos envolvido com este trabalho, elaborado durante as horas de folga.
De acordo com o professor, os cancioneiros medievais foram a grande fonte de consulta para a organização do dicionário, principalmente as Cantigas de Santa Maria, de cunho religioso. Silva também utilizou dicionários etimológicos e filológicos da Língua Portuguesa como bibliografia. As dificuldades encontradas pelo pesquisador para organizar as letras medievais não foram poucas. ''A estrutura frasal, a gramática e a semântica nos primórdios da língua portuguesa estão longe dos padrões atuais. A escrita da época baseia-se na fonética. Num mesmo autor encontramos a mesma palavra escrita de maneiras diferentes. É o caso de homem, que foi registrada com as grafias home, homme, ome, om e on. Na tentativa de tornar uma linguagem mais compreensível aos leitores, os organizadores das edições seguiram regras nem sempre bem definidas'', aponta.
Outra dificuldade encontrada pelo professor foi quanto ao aspecto semântico, registrando palavras que à época possuíam significado diferente do atual. ''É o caso dos verbos estar - que significava ficar de pé, estar rijo como uma estátua; ter - segurar, agarrar; saber - conhecer; e haver - possuir'', exemplifica Silva. Outro obstáculo relatado pelo estudioso foi quanto a identificação da origem das palavras, já que o latim - base da língua portuguesa - recebeu a influência de diversos linguajares. Segundo Silva, o primeiro texto literário conhecido da língua portuguesa é ''Cantiga da Ribeirinha'', de Paio Soares de Taveirós, datado de 1.190. A primeira gramática de nossa língua - ''A Grammatica De Fernão D' Oliveyra'' surgiu apenas em 1.536.
Uma curiosidade que chamou a atenção de Silva durante as pesquisas foi a quantidade de palavras utilizadas para designar o grande número de taxas e impostos pagos pelos cidadãos medievais, como é o caso de portadigo - pedágio, imposto que se cobrava na entrada da cidade e que hoje (em Portugal) se cobra nas auto-estradas sob o nome de portagem, pedágio, e chapim - tributo que se pagava em Portugal para ser aplicado na compra de chapins (calçado de rainha, de princesa).
SERVIÇO
- Lançamento do Dicionário da Língua Portuguesa Medieval
Autor - Joaquim Carvalho da Silva
Editora - Editora da Universidade Estadual de Londrina
Quando - Dia 27 de maio, 17h
Onde - Eduel (Campus da UEL)
Quanto - R$ 65 (310 págs.)
Mais informações - 3371-4691 e 3371-4673


