É raro colar a tarja ‘‘experimental’’ a uma banda norte-americana. Tortoise, de Chicago, é uma exceção. Longe dos padrões que costumam arrastar guitarras às searas do metal ou do hardcore, o quinteto prefere direcionar suas composições para o jazz, a música eletrônica, o minimalismo e o rock alemão dos anos 70 (krautrock).
Quem nunca ouviu o grupo, já pode matar a vontade com o lançamento no Brasil de seus três primeiros álbuns. Os CDs chegam às lojas esta semana pela gravadora Trama. Tortoise é da safra 90, ano de gestação do grunge, um circunstancial contraponto estético. Surgiu como um projeto de estúdio, funcionando como um núcleo instrumental destinado a dar suporte a artistas que necessitassem de baixo e bateria.
Aos poucos, com a entrada de novos integrantes, tornou-se um laboratório de criação. Foi o primeiro grupo a receber o rótulo ‘‘pós-rock’’, cunhado pelas publicações inglesas para caracterizar o rock progressivo da virada do milênio. Agora, dois anos e meio depois de uma turnê pelo Brasil, o Tortoise desembarca às lojas num pacote com três CDs. O álbum homônimo é de 1994, época em que a banda filtra influências de grupos alemães como Can, Neu! e Fast.
‘‘Millions Now Living Will Never Die’’ estabelece a reputação mesclando instrumental básico de rock, vibrafones e manipulação eletrônica. A faixa de abertura, ‘‘Djed’’, traz 21 minutos de incursões pelo jazz, dub e novamente krautrock. O CD ‘‘TNT’’, por fim, completa o pacote como um projeto orgânico calcado em improvisos. À margem do rock fast-food, Tortoise derruba convenções.

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