Produtores rechaçam hipótese
de tráfico de influências
Entre os 26 integrantes que compõem a Comissão de Avaliação dos Projetos Culturais alguns estão relacionados indiretamente a projetos aprovados. A reportagem da Folha2 procurou alguns desses integrantes para questionar se esse fato não compromete a atuação diante dos empreendedores e da comunidade.
O ator e programador cultural da Secretaria Municipal de Cultura, Donizette Buganza, afirma que não estava presente na sala na hora da discussão do projeto ‘‘Salom钒, enviado pelo empreendedor Weber Wanderley. Donizette interpretará Herodes na montagem da peça. ‘‘A comissão discute dentro dos parâmetros da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, verificando o custo/benefício, o interesse do projeto para a comunidade e se ele está orçado dentro de um preço razoável. Eu me isentei das discussões no caso do projeto que tem minha participação’’, garante.
Mesmo se eximindo da discussão, o ator reflete: ‘‘É uma situação difícil, que eu até mesmo tento evitar. Se isso pesa na hora das pessoas votarem, não sei dizer’’.
O projeto ‘‘Preservação, Recuperação e Conservação de bens imóveis constituído por peças do acervo histórico-cultural do Museu’’ foi apresentado pela Sociedade Amigos do Museu Histórico de Londrina Pe. Carlos Weiss. Conceição Aparecida Duarte Geraldo, diretora do Museu, também faz parte da Comissão, mas não integra a Sociedade de Amigos do Museu. Mesmo assim, declarou que também se ausentou da Comissão no momento da análise desse projeto. ‘‘Por uma questão de bom senso. A comissão é muito habilitada e equilibrada’’, frisa.
O cirurgião-dentista e maestro Guilherme Muller, outro membro da Comissão, atua como regente do coral Unimed, e foi questionado sobre sua posição em relação à aprovação do projeto ‘‘1º Encontro de Corais Unimed’’, em nome de Zélia Rodrigues. A princípio, reagiu de forma nervosa, afirmando que concederia entrevista somente perante testemunhas. ‘‘A comissão não estaria pisando na bola por causa disso. A gente fica de fora, justamente para evitar qualquer constrangimento. Os interesses pessoais são totalmente deixados de lado’’, declarou diante de testemunhas.
Ao reagir agressivamente com a reportagem da Folha2, o maestro confundiu o intuito da entrevista, que era de dar oportunidade para que eles explicassem aos empreendedores e à população londrinense se realmente houve alguma participação deles na avaliação desses projetos aprovados. ‘‘Eu acho que as pessoas não precisam de intermediários, elas podem chegar na comissão e perguntar’’, disse Muller.(F.F.)

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