A cantora e produtora cultural Silvia Borba foi uma das cidadãs presentes à manifestação intitulada "Mobilização mais verba para a cultura", realizada no final da tarde desta segunda-feira (6), na Concha Acústica de Londrina. "A reivindicação do grupo não é só minha, é uma reivindicação de que os recursos destinados ao Programa de Incentivo à Cultura - PROMIC -pela Secretaria de Cultura não sejam cortados, como foi anunciado na divulgação da nova proposta da LOA (Lei Orçamentária Anual) elaborada pela gestão do prefeito Tiago Amaral (PSD), no início do mês. Que os recursos sejam reajustados, pelo menos pela inflação", expôs.

Presente ao movimento, a produtora cultural Giovana Fernanda relata que integra vários projetos da cidade e observa a possível redução de verba para a Cultura com temor. "Nosso receio é que essa verba diminua e já há alguns anos a gente vem sofrendo com esse desgaste", relata. "Todos os anos, a Câmara de Vereadores tenta diminuir o orçamento que vem para a Cultura e esse ano a notícia veio diretamente da Prefeitura. Então isso é o que precisamos saber, porque já foi prometido no passado que isso não aconteceria", comenta.

Fernanda também não quer que outros incentivos sofram prejuízos. "No caso da lei federal Paulo Gustavo, por exemplo, há algumas regras que devem ser seguidas pelo município e nossa articulação é para que os trabalhadores da cultura de Londrina, que dependem muito dessa verba, assim como o comércio, onde o dinheiro circula, não sejam prejudicados", argumenta.

FALTA DE CONSIDERAÇÃO

O jornalista Marquinho Gomes também compareceu ao encontro. "Estamos aqui na Concha Acústica, lugar tão simbólico, para representar a cultura de vários lados da cidade e nos manifestar diante do que pode acontecer porque se houver um grande corte nas verbas culturais isso vai chegar lá nos bairros, nas comunidades que usufruem das áreas que são mantidas, subsidiadas por essa verba", enumerou.

Gomes considera essa possibilidade como uma falta de consideração perante o que a cultura de uma cidade representa para a economia. "Este golpe cortaria mais de 40% dos recursos de um orçamento que já é muito reduzido, e a despreocupação com a cultura fica bem clara", reflete. "Trata-se de uma falta de consideração com a atividade fabril que a cultura tem, uma desconsideração com a atividade, com a quantidade de técnicos que estão por trás dos shows e espetáculos, como iluminadores, técnicos de som, produtores, enfim, uma comunidade grande que tem famílias que precisam dos recusros que ainda circulam na cidade de outras formas, atraindo públicos. Eu só vou ficar triste se eu vir uma iluminação de Natal mais uma vez cafona, com aquele preço que tem", desabafa.

A FALA DO SECRETÁRIO

Em atenção à reportagem, o Secretário de Cultura de Londrina, Marcão Kareca, expressou sua solidariedade aos produtores e reafimou o seu comprometimento com as questões em discussão. "Nós temos também uma lei de incentivo à cultura, o PROMIC, que hoje é de apenas R$ 5 milhões, ou seja, 0,6% do orçamento do município. Estamos discutindo e repensando um substitutivo e temos uma linha de edital mais clara, mais dinâmica, mais plural, mais inclusiva, é um novo edital. Recebo aqui 100% as pessoas que vêm me procurar para projetos e a política pública tem que alcançar distritos, patrimônios, vilas, bairros e assentamentos para a mesma verba. Então, todas as pessoas estão temerosas como eu também. Por isso, eu concordo plenamente com as manifestações. Elas são populares, elas são democráticas, elas precisam existir."

E completou: "Isso é importante para Londrina. Não apenas como sustentabilidade financeira dos artistas. Afinal de contas, sem cultura uma cidade adoece, sem cultura, uma cidade empobrece. Sem cultura a própria cidade não se enobrece, não tem orgulho de si. Concordo com as reinvindicações sendo pacíficas e, principalmente, com os artistas procurando a Secretaria de Cultura e, principalmente, o Conselho Municipal, pois nós temos um alinhamento muito grande com o Conselho. Os conselheiros são escolhidos pela comunidade e tudo que nós fazemos aqui a gente faz com escuta pública", declarou.

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