PRODUTORA REÚNE MÚSICOS DE CURITIBA
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de abril de 1998
Zeca Corrêa Leite 
O lema dos quatro mosqueteiros Um por todos, todos por um em nenhum momento foi lembrado pelos músicos que consumiram algumas caixas de cerveja e discretas doses de uísque, na sede da Dakobra, o novo selo que está surgindo em Curitiba. O regabofe foi na terça-feira à noite, e por lá passaram mais de 50 artistas entre cantores, instrumentistas, compositores.
O motivo do encontro foi dar início a um movimento que representará um novo tempo artístico no Paraná. Pode parecer pretensioso, mas esse é o objetivo da Dakobra - a empresa quer que a classe se una e através dessa união chegue ao almejado fortalecimento. A realidade é a mesma de sempre: se um artista pede xis, haverá outros reduzindo valores do cachê até chegar a quantias ínfimas.
Esse leilão que move os bastidores da música paranaense tende a acabar, segundo a proposta da produtora. A palavra de ordem é valorização. Ou a classe forma um bloco coeso e vai em frente, valorizando-se, ou então entraremos num novo século sem ter avançado um passo nesse sentido.
O produtor Helinho Barreto e o publicitário Luiz Carlos Franco, proprietário da Kobra Publicidade que abriu um novo segmento especialmente voltado à música, não aceitam a possibilidade do projeto dar errado.
Como fazer para vingar? Provando que o pessoal daqui é bom e dá dinheiro, responde Helinho. Ele dá exemplos da importância dos nomes locais: João Lopes encheu a Praça de Alimentação do Estação Plaza; a banda Boi Mamão juntou 5 mil pessoas numa apresentação no litoral. Cartazes que atraem o público também atraem dinheiro, basta saber administrar.
Nesse universo nem todos têm o mesmo poder. Aí entra o fator da união - os que estão por cima devem chamar para o topo quem está em posição inferior na escalada. A história recente das bandas brasileiras mostra isso, segundo o produtor. Não foi por acaso que Brasília mandou para o resto do País grupos como o Legião Urbana, Plebe Rude, Paralamas do Sucesso. Na época eles se ajudaram mutuamente.
IncentivoA moeda, aqui, tem vários lados. Além dessa força que deve partir dos próprios músicos, existe ainda outro ponto importante - o incentivo oficial. Tanto em Brasília, como em Salvador, na Bahia, o poder público incentivou seus valores. Daniela Mercury, como de resto toda a turma que vem descendo a ladeira, não conquistou o Brasil liberando o vozeirão. Antonio Carlos Magalhães liberou verbas para que os shows acontecessem, eles atingissem o sucesso regional e depois partir para carreira nacional.
É o que falta no Paraná, associado à visão ainda muito restrita da classe, de tentar ocupar seu espaço sem dar vez ao colega mais próximo. A somatória desses fatores - a mesquinharia com a falta de empreendimentos artísticos promovidos pelo poder público - gera um limbo histórico. Quantas tentativas já foram feitas no sentido de mudar o quadro?
Os veteranos lembram do Mapa (Movimento Artístico do Paiol), surgido logo após a inauguração do Teatro do Paiol, e depois disso houve até tentativas que não passaram de uma única reunião. Maior longevidade vem tendo o Clube dos Compositores, que emplacou uma série de espetáculos. Ainda assim é um movimento sem maiores poderes.


