Marcelo AlmeidaManoel José de Souza Neto tem um grande arquivo do rock curitibano e quer lançar enciclopédiaUm verdadeiro museu do rock curitibano, talvez o mais completo da cidade, está na casa do produtor cultural Manoel José de Souza Neto, responsável pelo programa ‘‘Garage 96’’, que vai ao ar pela Rádio Rock 96 FM. Ele critica a falta de valorização da cidade aos músicos locais.
Armários, pastas, arquivos e caixas alojam o material de mais de 300 bandas curitibanas atuais. São duas mil músicas em centenas de CDs e 200 fitas-demo, além de livros e publicações. Manoel conta ainda com o material catalogado das mil bandas curitibanas, criadas desde 1958.
Ele afirmou que a Biblioteca Pública do Paraná, o Museu do Cartaz, a Casa da Imagem e outros órgãos responsáveis não têm nem 10% do seu arquivo pessoal sobre a cultura da cidade. ‘‘Isto é uma absurdo, a obrigação era deles.’’
Todo esse acervo está prestes a se transformar num livro, a ‘‘Enciclopédia do Rock Curitibano’’, ainda sem previsão de lançamento. Embasado no material que pesquisou e organizou nos últimos oito anos, Manoel está escrevendo uma história sobre a cidade. O livro será complementado por uma minibiografia de mais de uma centena de bandas.
Desde a estréia do programa ‘‘Garage 96’’, em outubro de 97, cerca de 15 bandas procuram diariamente por Manoel, o que demonstra a carência de espaço ao rock local. Ele conta que todas acabam sendo tocadas no ‘‘Garage’’ e as que conseguem se destacar são incluídas na programação normal da 96 FM.
Através da minigravadora + (Mais) Records, Manoel já lançou três CDs coletâneas, com músicas de 46 bandas curitibanas. Ele também é o responsável pelo fanzine + (Mais) Zine, que está na terceira edição e é considerado um dos principais divulgadores das bandas curitibanas.
O produtor culpa o público, a mídia e os próprios músicos pela dificuldade em lançar bandas curitibanas. ‘‘O problema começa numa questão social’’, afirmou. Na opinião do produtor, a quantidade de imigrantes poloneses, italianos e alemães que chegaram à cidade no século passado determinou um perfil frio e fechado aos curitibanos.
‘‘Curitiba se transformou num pólo de grupos opostos, o que afeta profundamente as artes’’, comentou. Além disto, ele criticou as autoridades, que trazem artistas de fora pagando altos cachês. ‘‘Enquanto pagam R$ 300 mil para um cantor de ópera, não gastam R$ 1.500,00 para colocar um palco na Rua XV, onde poderia haver inúmeros shows públicos de bandas locais.’’(S.M.)

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