Produtividade em alta
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de outubro de 2002
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
É próprio do historiador preocupar-se com a precisão das datas. No caso de Rogério Ivano, é improvável que ele tropece algum dia na memória ao lembrar-se dos episódios ocorridos em 2002, o ano em que terá publicado três livros ou talvez quatro, já que está na iminência de colocar ponto final em outro volume.
A prole editorial vem acompanhada da notícia de que brevemente será papai. Ivano nasceu no interior de São Paulo, mas vive em Londrina. Graduado pela UEL e doutorando na Unesp, de Assis, o pesquisador de 31 anos tem uma trajetória no mínimo curiosa. Foi punk na adolescência, produtor de programas de rock e reggae na rádio Universidade FM e dekassegui antes de firmar-se como um aplicado estudioso de História. Hoje exercita a fotografia como um hobby.
Nesta temporada, ele abriu as gavetas. No começo do ano, publicou o livro paradidático ''A Conquista do Sertão''. Agora está lançando ''Crônicas de Fronteira''. No próximo mês, lança a coletânea de contos ''Os Opostos se Distraem''. Talvez, até dezembro, ponha nas prateleiras a biografia do fotógrafo Haruo Ohara que está escrevendo a quatro mãos com Marcos Losnak.
''Toda essa produção é resultado do que escrevi nos últimos cinco anos'' afirma. ''A Conquista do Sertão'' saiu pela editora Atual, adquirida recentemente pela Saraiva. Escrito em parceria com Antonio Celso Ferreira, o volume integra a coleção ''A Vida no Tempo'', destinado a professores de 5 à 8 série. ''O livro fala sobre a conquista e a expansão do território brasileiro'' diz.
Como todo livro de apoio, ele vem repleto de ilustrações. As linhas introdutórias são esclarecedoras: ''No século XVI, os portugueses chamavam de sertão toda a terra que se estendia, desconhecida, diante do litoral, todo o território que se abria para além da costa onde aportavam com seus navios. Podia ser na Ásia, na África, na América em todo o vasto império do reino de Portugal, sertão eram os grandes espaços do interior, pouco ou nada conhecidos.
Na Terra de Vera Cruz primeiro nome dado ao Brasil um imenso sertão desafiava a coragem e atiçava a imaginação dos homens. Ao longo do tempo, incontáveis colonizadores, aventureiros, senhores, escravos, mercadores, religosos e criminosos avançaram pela imensidão sertaneja, levando consigo seus costumes, suas crenças, suas ambições e sua fúria. Foi assim que fixaram a idéia de um rico e aterrador sertão a ser conquistado, explorado e povoado. Foi assim que começou a história do interior do Brasil''.
O segundo título do autor a sair dos fornos nesta temporada é ''Crônicas de Fronteira Imagem e Imaginário de uma Terra Conquistada'', resultado de sua dissertação de Mestrado e que chega aos leitores pela editora curitibana Aos Quatro Ventos. O livro aborda a colonização do Norte do Paraná a partir do conceito de fronteira, segundo a acepção dada pela historiografia norte-americana ao se referir à conquista do oeste daquele continente.
Para Ivano, a região foi palco de um fenômeno similar constituindo-se a ferro e a fogo através de sucessivas ondas exploratórias. A narrativa recua no tempo delimitando 100 anos de história, de 1853 a 1953. ''No livro, procuro mostrar como uma área vazia e habitada apenas por índios e caboclos foi transformando sua paisagem natural e social com o loteamento de terras, a construção de ferrovias, as migrações e as cidades planificadas''.
Leia mais sobre o assunto na página 6.


