Produção de primeira
A gravação do disco envolveu um total de 50 pessoas e teve um custo aproximado de R$ 120 mil
Há pelo menos 20 anos Jair Rodrigues ansiava por fazer um disco como 500 Anos de Folia. Bem que tentou emplacar o projeto nas gravadoras por que passou. Nenhuma topou. Não queriam gravar um disco como esse porque falavam que dava muito trabalho, que custava caro. Claro que dá trabalho porque para fazê-lo é preciso ter bons músicos e uma boa equipe técnica. Já que ninguém topava resolvi arquivar a idéia contou o cantor em entrevista à Folha2, por telefone.
E quem tomou a iniciativa de levar o projeto do cantor adiante foi o filho Jairzinho que como produtor deu provas de que sua permanência nos EUA, onde cursou a prestigiada Berklee College of Music, em Boston, e formou-se em Produção Musical, Engenharia de Som e Music Business, foi muito proveitosa. Pois bem, foi o ex-Balão Mágico que procurou a direção da gravadora Trama.
Que, para surpresa geral, bancou sem restrições o projeto de Jair Rodrigues. Foi tudo muito rápido. Porém, pai e filho e gravadora acharam por bem convocar Bernardo Vilhena para assinar a co-produção. Em poucos dias, o contrato estava assinado, o repertório escolhido, os músicos selecionados e 500 anos de Folia gravado.
E pelo jeito a gravadora Trama não mediu mesmo esforços para trazer Jair Rodrigues à tona de forma gloriosa. O disco todo teve um custo estimado em R$ 120 mil, uma cifra que as grandes gravadoras dispensam apenas aos seus medalhões e, claro, aos seus bons vendedores de disco. Os números não páram por aí: o projeto de gravação envolveu 50 pessoas, dos quais 25 músicos. Ensaios gerais, apenas cinco antes de encarar o público e o microfone.
E na hora do vamos ver Jair não fez feio. Deus não economizou luz no negão porque fazer um show e um disco numa noite só não é brincadeira diz o cantor. Muita coisa aconteceu em 37 anos de carreira de Jair Rodrigues do primeiro disco solo, gravado em 62, passando pela parceria com Elis Regina (para quem, aliás, 500 Anos de Folia é dedicado) e pelos festivais de música no final da década de 60, Jair sempre se manteve em evidência.
Tá certo que em determinados momentos aderiu a modismos para se manter em evidência tanto é que o estrondoso sucesso de Majestade o Sabiá, gravada no início da década de 80 com participação de Chitãozinho e Xororó, o fez incluir, a partir de então, algumas músicas sertanejas moderninhas em seus discos. Esse ecletismo por pouco não arranhou sua reputação. Mas Jair sempre soube dar a volta por cima. E com categoria.
A explicação que ele dá para essas passeadinhas por diversos estilos chega a ser convincente. Antes de gravar meu primeiro disco eu já tinha bagagem de pelo menos seis anos como cantor da noite diz. Depois de Disparada é que eu pude liberar geral já que até então as pessoas achavam que eu era só sambista. O samba sempre será minha base mas no meus discos eu procuro diversificar complementa.
Bem-humorado como sempre, Jair conta que o novo disco tem como objetivo principal agradar a todos. Mas é, como explica, um disco feito para parte de público que desconhece sua história anterior a Majestade o Sabiá. É também um trabalho de resgate porque quero mostrar a essa juventude que me admira que eu faço parte do anais da MPB afirma. (A.M.J.)





