Produção de jornal na sala de aula
A experiência de produzir um jornal na sala de aula com alunos da 4 série foi compartilhada com dezenas de professores pelo casal Clóvis Lopes Júnior, 35 anos, e Flávia de Oliveira Rodrigues Lopes, 32 anos, na Oficina de Jornal Impresso realizada durante o Fórum de Educomunicação.
Clóvis é pedagogo e mestre em Educação; já Flávia é jornalista e juntos perceberam na prática o quanto a mídia pode favorecer no processo educacional. Eles foram responsáveis pelo projeto da produção do jornal na sala de aula no Colégio Marista, de Maringá, que já está no seu terceiro ano de atuação. Batizado de ''Projeto Repórter Aprendiz'', a atividade estimula a leitura e a produção de textos, e além da sua publicação impressa, há também a versão on line. ''Hoje cada vez mais os jovens acessam as informações que eles produzem é só observar o sucesso dos blogs, orkut e sites , então, eles acham muito interessante analisar e observar o resultado de um jornal que eles mesmos elaboraram'', ressaltou Clóvis.
O casal explicou que as reuniões para a elaboração do jornal acontecem uma vez por semana, além dos alunos frequentemente trabalharem em sala de aula tendo o jornal impresso formal como ferramenta pedagógica. Para os alunos menores, eles sugeriram trabalhos com as tiras em quadrinhos, recorte das letras das manchetes até a contação de histórias através das imagens das fotografias jornalísticas. ''O professor pode pedir que os alunos, mesmo os que ainda não sabem ler, falem sobre o que observaram nas fotos, o que acham que aconteceu e, depois, contem o que a notícia na realidade abordou'', afirmou Flávia, durante a palestra. ''É legal o professor ter em mente que antes da criança ir à escola ela faz leitura do mundo, lê 'signos' que estão por toda a parte. As crianças não são 'receptoras', são 'perceptoras'. Elas aprendem a fazer uma ressignificação do conhecimento que as rodeia''', acrescentou Clóvis.
Ele também pontuou que uma das vantagens de se trabalhar com textos jornalísticos é que além da variedade de assuntos apresentados, eles localizam o aluno no tempo e no espaço. ''Os alunos também se divertem quando começam a aprender sobre os termos técnicos do jornal como 'chapéu', 'gravata' e 'linguiça''', comentou Flávia.
Entre os participantes da oficina, estavam Felipe Lessa, 23 anos, que é aluno de jornalismo, e Guto Santana, 38 anos, formado em Letras. Ambos fazem parte da Ciranda Central de Notícias de Direitos da Infância e da Adolescência, em Curitiba. Atualmente, eles estão desenvolvendo o projeto ''Luz, Câmera...Paz!'' em uma escola em Paranaguá. A proposta é trabalhar com oficinas práticas que resultarão em um jornal e vídeo elaborados pelos adolescentes. Os temas a serem trabalhados são violência, direitos e deveres, cidadania e cultura de paz. O projeto iniciou suas atividades em novembro de 2004, envolvendo a Unidade Social feminina Joana Miguel Richa, de Curitiba (PR) e a Unidade Social masculina Fazenda Rio Grande, em Fazenda Rio Grande (PR). ''Trabalhamos com a idéia do protagonismo juvenil e que os jornais não falam a 'verdade', mas sim que trazem fatos e versões dos fatos'', argumentou Santana. (A.P.N.)





