Produção brasileira não é reconhecida
Produção brasileira não é reconhecida
Para o diretor do Museu de Arte Contemporânea da USP, José Teixeira Coelho Netto, o brasileiro não só gosta da arte, como está aberto às experiências dos artistas contemporâneos. O que falta é a valorização devida, que ele raramente tem. Prova dessa receptividade artística é o sucesso da mostra O Brasil no Século da Arte, em cartaz desde o mês de abril no MAC da USP.
A média diária é de mil visitantes. No feriado de Corpus Christi, passaram por suas portas 1.200 pessoas, apesar do dia frio e cinzento que cobriu São Paulo. Ali perto, num disputado centro esportivo, registraram-se 120 presenças nesse mesmo dia.
Teixeira Coelho conta que para o museu converge um tipo de público democrático: tem desde o executivo de terno e gravata, motoboy e venerandas senhoras até jovens de bermuda com cabelo pintado e brincos nas orelhas. As pessoas gostam da boa arte. O que ocorre é que neste País as chances de se ter acesso a isso são limitadas, comenta.
A exposição que a gente está fazendo agora, em São Paulo, tem por objetivo justamente mostrar como é que a arte moderna e a contemporânea brasileira conversam em pé de igualdade com a arte internacional, explica o diretor, ressaltando que ela ainda não tem um espaço lá fora como deveria ter.
Acontece que países mais ricos - esses todos chamados de Primeiro Mundo - são voltados para o próprio umbigo e desconhecem o que se faz abaixo dos trópicos. Acham que são auto-suficientes em termos de arte, e não abriram ainda o espaço que deveriam para a arte brasileira, critica Netto.
Especialmente a mídia estrangeira ignora os artistas sul-americanos. No entanto, em qualidade e em quantidade, não temos do que invejar o resto do mundo, afirma o professor.
Ele cita a gaúcha Regina Silveira, radicada em São Paulo, que trabalha com distorção de objetos que deixam sombras, e é constantemente assediada por museus e galerias. Ela embarcou para Otawa (Canadá) com a missão de fazer uma grande instalação na fachada do Museu da Aeronáutica. Você vê a sombra distorcida de um objeto, mas não vê o objeto que deu origem à sombra. É uma coisa muito interessante, conclui.
Pois bem, os brasileiros estão abrindo espaço lá fora, mas ainda falta muito para caminhar no sentido da valorização das obras. Por exemplo, um nativo coloca seus trabalhos em exposição em Nova York. Os preços serão muito abaixo do cobrado pelo artista americano. A alegação é sempre a mesma: Você é conhecido no Brasil, aqui não.
Isso significa que o preço equivalente chega a um quinto do que seria o correspondente americano, explica o diretor do MAC. Os museus também não demonstram interesse em divulgar os brasileiros, como poderiam fazê-lo. Eles guardam em acervo, mas não mostram. Um consolo: os países centrais fecham-se em relação ao mundo todo, não somente ao Brasil. (Z.C.L.)





