O Salão do Livro de Paris tem no público uma grande força. Não é um simples encontro de editores, como a Feira de Frankfurt, que ocorre em outubro na Alemanha, em que o público em geral não entra e na qual é proibido o comércio de exemplares. Ali, o negócio é comprar e vender direitos autorais. Em Paris, é preciso agradar aos leitores.
Apesar disso, os franceses que se interessavam pelas edições brasileiras não conseguiam comprar os livros expostos, porque eles não estavam à venda. ‘‘Isso causava uma grande frustração’’, diz Jonny Wolf, vice-presidente da CBL (Câmara Brasileira do Livro), responsável pela participação dos editores brasileiros nas feiras internacionais.
Depois de 20 edições do Salão do Livro, isso muda. O estande brasileiro, em que estão associados a CBL, o Snel (Sindicato Nacional dos Editores de Livros) e a Fundação Biblioteca Nacional, dessa vez, vai colocar as obras à venda, nos seus 65 metros quadrados.
‘‘O objetivo não é o lucro’’, afirma Paulo Rocco, editor da empresa que leva seu sobrenome e também presidente do Snel. ‘‘Tanto assim que as sobras serão doadas às bibliotecas francesas interessadas na produção nacional’’, completa ele.
A exposição dos livros não será cobrada dos editores nacionais que enviarem os exemplares. Ao todo, devem ser expostos cerca de 2,5 mil títulos. Segundo Rocco, o Salão de Paris é uma oportunidade de encontrar um público interessado em literatura brasileira e, ao mesmo tempo, um modo de abrir caminho para outros países europeus para os autores brasileiros.
‘‘É o país que mais consome livros na Europa; na França, livro dá manchete de jornal, o que só ocorreria no Brasil se o escritor matasse alguém’’, emenda Elmer Barbosa, da Biblioteca Nacional. Além do grande consumo, os livros editados na França obtêm maior repercussão, chamando a atenção de editores de outros países.
Na sua opinião, países como Portugal (convidado de honra do ano passado) e Espanha utilizam-se melhor do salão que o Brasil (convidado de honra em 1998), alcançando, assim, maior repercussão para a literatura desses países. Isso, apesar de, na sua opinião, a produção brasileira ser de melhor qualidade - e de os editores europeus manifestarem aberto interesse pelo mercado brasileiro, em que são editados 22 mil novos títulos por ano. (H.C.S)

mockup