Os números argentinos impressionam pelo nível de atividade: 114 filmes concluídos ou em plena produção, entre janeiro e novembro deste ano. A esta cifra deve ser ainda acrescida uma incerta produção independente, que não informa ao Instituto Nacional de Cine y Artes Visuales – Incaa, em que estágio se encontram os filmes fora do catálogo. Estes dados são oficiais, e na dúvida quanto a um eventual surto grandiloquente dos portenhos, eles vêm com o aval da respeitável consultoria internacional da AC Nielsen-EDI.
Apesar dos fortes recortes recessivos da economia, que culminaram no recém-anunciado ‘‘pacotão De La Rua’’, o cinema argentino desfruta de temporada privilegiada, superando com folgas as estatísticas de anos anteriores e com ótimas perspectivas para o início do milênio. Em pouco mais de dez meses deste ano, quase 6,2 milhões de espectadores assistiram aos 41 longas-metragens nacionais lançados no circuito comercial. Em 99 foram 37 filmes, vistos por 5,5 milhões de argentinos. A platéia obtida este ano para a produção da casa representa 19,8% do total de público que foi aos cinemas até este mês. Esta proporção é considerada muito alta, somente superada – de acordo com estatísticas de 99 – pelos cinemas nacionais na França (30%), Dinamarca (28%), e Itália (24 %).
Na Argentina vigora a lei da ‘‘cota de pantalla’’, ou reserva de mercado para o produto argentino. Os exibidores, por conta própria, aumentaram em quatro pontos percentuais a cota de tela, abrindo mais espaço para o audiovisual da casa. E sempre segundo as cifras do ano passado, o cinema americano, que ficou com 71% de toda a bilheteria mundial, continua dominando significativamente na Argentina, embora este domínio seja no momento bem menor.
Segundo a empresa AC Nielsen-EDI, cinco filmes podem ser considerados grande êxitos de bilheteria, já que superaram 600 mil espectadores: ‘‘Papa es un Ídolo’’, de Juan Jose Jusid (1,415 milhão), ‘‘Corazón, las Alegrias de Pantriste’’, de Manuel Garcia Ferré (1,134 milhão), ‘‘Nueve Reinas’’, de Fabian Bielinsky (1,080 milhão), ‘‘Apariencias’’, de Alberto Lecchi (827 mil) e ‘‘Plata Queimada’’, de Marcelo Piñeyro (623 mil).
O Congresso Nacional argentino deve fazer um corte de 50% nos fundos para o cinema, que correspondem a 60 milhões de dólares. Mas o Incaa já solicitou uma suplementação de 18 milhões. Com o total de 48 milhões de dólares, o Instituto acredita que o cronograma para 2001 poderá ser cumprido.
O otimismo dos vizinhos tem procedência. E registro internacional. Segundo estatística publicado pela respeitável revista inglesa ‘‘Screen Digest’’, a Argentina já é o nono produtor cinematográfico do mundo, com um investimento, somente em 99, de 133 milhões de dólares. Os outros oito do ranking são os Esttados Unidos (8,699 bilhões), Japão (1,053 bilhões), Inglaterra (818 milhões), França (733 milhões), Alemanha (380 milhões), Canadá (226 milhões), Itália (171 milhões) e Espanha (168 milhões). Consultado sobre este números, o diretor do Incaa, José Miguel Onaindia, deixou bem claro: ‘‘Servem para ratificar que o cinema não somente tem valor cultural como também industrial e estratégico. Cada filme gera 60 empregos diretos, e ainda dá trabalho em atividades colaterais como serviços diversos, vestuário e laboratórios. Isso é algo que os políticos têm que entender no momento de assinar recursos para o setor’’.
Lá como aqui, assim seja.

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